Costa rejeita parceiros da geringonça? Acordos dependerão "dos votos que a esquerda tiver"

Catarina Martins insiste na vantagem de das eleições legislativas sair um Bloco de Esquerda consagrado como a terceira força política. No Fórum TSF, a líder do Bloco foi questionada sobre o resultado da sondagem divulgada pela TSF, que indica que o Bloco ficará em quarto lugar nas eleições, logo atrás do chega. Catarina Martins respondeu que a função que lhe cabe é apresentar propostas e soluções, não comentar sondagens.

Catarina Martins espera que no dia 31 de janeiro António Costa converse com o Bloco de Esquerda para acertar uma solução de Governo à esquerda. A líder do Bloco faz votos de que, para isso, não seja necessária a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa.

Nas primeiras páginas do programa eleitoral do BE, está plasmado um dos objetivos principais do partido: "Nem maioria absoluta nem bloco central." Confrontada no Fórum TSF com a sondagem mais recente publicada pela TSF esta manhã, e que dá a terceira maior percentagem ao Chega, a coordenadora do BE atira: "As sondagens não são os votos." Apesar de declarar o "enorme respeito" ao trabalho das empresas de sondagens, a também deputada rebate: "O meu trabalho não é comentar sondagens, é apresentar propostas."

Para Catarina Martins, o BE como terceira força política é um garante das condições de igualdade em democracia. A coordenadora do Bloco lamenta que o Governo socialista tenha aprovado a "generalidade da legislação com a direita, num bloco central muito perverso".

"A direita que só é capaz de adicionar problemas aos problemas", defende Catarina Martins, que acusa a direita: o programa do PSD, por exemplo, prevê copagamentos na saúde, que a classe média passe a pagar pelos cuidados de saúde, através do processo de revisão constitucional. No entanto, Catarina Martins salienta que os países em que se introduziu pagamentos da saúde viram a sua situação tornar-se "desastrosa".

A líder do BE pede a todos que clareza, sobretudo ao PS. "Não gosto muito de uma campanha feita sob ajustes de contas e acusações. O PS recusou um acordo e que disse ia governar com uma espécie de acordo de cavalheiros."

Os progressos não podem ser anulados, garante. "Seguramente não se volta para trás. Entre 2015 e 2019, houve o maior período de crescimento desde que Portugal entrou no euro."

"Se o PS tivesse razão se calhar estávamos a ver uma galopante maioria absoluta do Partido Socialista."

Também criticando o PSD, Catarina Martins atira: "Falar do Zé Albino é um péssimo serviço à democracia. Nas campanhas o que é preciso é discutir programas para o país."

O desafio ao PS

Catarina Martins insiste no desafio ao PS para que converse com o Bloco no dia a seguir às eleições. Sobre viabilizar um Governo, Catarina Martins afasta o impossível. "Lembro que em 2015 também era tudo impossível. Com a força dos votos abrem-se pontes onde antes havia muros."

A líder bloquista garante que o BE não precisa de uma iniciativa presidencial para se sentar à mesa, só precisa de um programa que valorize os serviços sociais, o que exclui alguns partidos "porque a direita vai querer privatizar as pensões"

"Registo que o Presidente da República tem preferido ficar de fora da campanha, e devemos respeitar", responde.

Questionada sobre se haverá caminho para andar à esquerda, Catarina Martins diz que isso "dependerá dos votos que a esquerda tiver", ou seja, "daquilo que as pessoas disserem nas urnas".

"Com o Bloco de Esquerda como terceira força política, não haverá governo de direita. Havendo força, há soluções", afirma.

A líder do BE refere que o PS já reconheceu que o caminho "não será de maioria absoluta, por isso terá que negociar". "Precisamos de uma legislatura que responda aos problemas do país", diz.

Depois das eleições, Catarina Martins diz que "teremos que debater um programa para os problemas do país".

Relativamente ao Orçamento do Estado, a líder do Bloco de Esquerda assegura que o Partido Socialista "disse que não faria acordo na generalidade, nem na especialidade". "Na especialidade, o PS não estaria disposto a nenhum ponto de encontro com a esquerda. Foi por isso mesmo que não foi possível avançar", explica.

Catarina Martins relembra que, entre 2015 e 2019, com um Governo minoritário, Portugal viveu "um período de enorme estabilidade". "Esta experiência mostrou que é para valer e é esse tipo de contrato que precisamos para resolver os problemas do país", atira.

Questionada sobre a estabilidade do país com o chumbo do Orçamento do Estado, Catarina Martins pergunta: "Há estabilidade quando vemos urgências a fecharem todos os dias? Quando vemos que tanta gente precisa de médico de família e não tem? Quando perdem o seu emprego e não têm apoio?"

"Fizemos de tudo para que houvesse entendimento no Orçamento do Estado. Nunca deixámos de ter as nossas propostas, mantivemos as mesmas propostas. O PS decidiu ir desentender-se também com o PCP", diz, sublinhando que "não havia forma de evitar uma crise que o Governo procurou tão ativamente".

Costa é igual a Rio? Não, "não confundimos as coisas"

Catarina Martins não considera que Costa seja igual a Rio. "Não confundimos as coisas", contrapõe, exemplificando com um objetivo que a esquerda rejeita: a direita tem um plano de privatização da Segurança Social, deixando as pensões à mercê do "jogo de casino das praças financeiras". A líder do Bloco nota que os pensionistas nos EUA e no Chile ficaram sem pensões e perderam tudo.

"Distinguimos muito o projeto da direita de outros projetos para o país. Quem às vezes não distingue muito bem é o Partido Socialista."

"PS não quis negociar à esquerda, nem responder aos problemas do país"

Catarina Martins reforça que o BE não queria eleições neste momento e diz haver "reconhecimento do PS de que não está tudo bem no país".

"A esquerda sabe que não é a direita que vai resolver os problemas", afirma, apelando a que a esquerda se mobilize, "vá votar" e "crie soluções no dia seguinte". A coordenadora do Bloco de Esquerda assinala a "irresponsabilidade do PS na criação desta crise", já que "o PS não quis negociar à esquerda, nem responder aos problemas do país."
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