Costa responde ao BE: "Se quiserem um acordo escrito, esse não é o problema"

Primeiro-ministro diz que já houve "drama suficiente" no último ano e meio e pede que não se esqueça o "inferno" vivido pelo país.

O primeiro-ministro, António Costa, defendeu esta sexta-feira que a aprovação do Orçamento do Estado não se prende em questões formais, sem excluir um "acordo escrito", como pediu o BE, e recusou dramas, lembrando o "inferno" da Covid.

"Se quiserem um acordo escrito, esse não é o problema. Não vamos perder-nos aqui em questões de forma. A construção de um orçamento não é um debate entre partidos, é um debate entre quem governa, quem legisla e o conjunto da sociedade portuguesa, o conjunto dos cidadãos. E a preocupação fundamental que temos de ter é ter um bom orçamento, que responda aquilo que são as prioridades do país", defendeu António Costa.

O chefe de Governo, que falava aos jornalistas numa escola em Benfica do Ribatejo, no concelho de Almeirim, distrito de Santarém, recusou dramatizações: "Não vale a pena procurarmos o drama, vale a pena é concentrarmo-nos naquilo que é essencial."

"Com toda a franqueza, drama já tivemos o suficiente durante o último ano e meio. São perdas de mais de 18 mil vidas, mais de um milhão e meio e portugueses que esteve infetado, convém não esquecer o inferno que vivemos durante este ano e meio. Querem mais drama? Eu não quero", defendeu.

Para António Costa, agora é tempo de "aproveitar o sucesso deste processo de vacinação" e "acelerar o processo de vacinação nas outras áreas do mundo", para garantir uma "vacinação global antes que surjam novas variantes que não estejam cobertas pela atual vacina",

"Não perder tempo, por o país a andar para frente. Acho que é esse o espírito que todos têm de ter, uns pensarão isto outros pensarão aquilo, com certeza, temos de fazer todos um esforço para encontrar o maior denominador comum das posições entre todos", afirmou.

"Fazer figas para que tudo corra bem", disse, em jeito de brincadeira no final das declarações aos jornalistas.

Em entrevista ao Público, a deputada e dirigente do BE Mariana Mortágua aludiu à necessidade de um acordo político para a viabilização do Orçamento do Estado para 2022, detalhando que "esse acordo político inclui medidas orçamentais, mas inclui medidas da organização da sociedade e da economia".

As restantes medidas "não têm que estar no Orçamento, mas têm que estar acordadas", declarou ao jornal.

"Não basta o Partido Socialista e o primeiro-ministro dizerem que têm disponibilidade para discutir. O que nós queremos é que as três propostas que colocámos em cima da mesa - os dias de férias que foram cortados durante a 'troika', a questão da indemnização por despedimento que foi cortada durante a troika e a questão da contratação coletiva que impede a subida dos salários - sejam aprovadas".

Após a entrega da proposta de OE para 2022 pelo Governo na Assembleia da República PCP e BE anunciaram, que, como está o documento merecerá o voto contra daqueles partidos. O BE votou contra o OE para 2021 no ano passado.

Sobre as prioridades do país que devem ser a preocupação principal para a aprovação do orçamento, o primeiro-ministro reiterou que são a recuperação da economia, o reforço dos serviços públicos na educação e na saúde.

"As prioridades são certas, as medidas são as adequadas, conjugam-se bem com os outros instrumentos de política, desde o estatuto do SNS, à agenda do trabalho digno, à execução do Plano de Recuperação e Resiliência", afirmou.

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