"Deu o dito por não dito." Nuno Melo acusa líder do CDS de ceder a chantagem de Costa

Eurodeputado critica Francisco Rodrigues dos Santos de cair na estratégia de António Costa, que deseja "um cenário de crise política e de eleições antecipadas o mais rapidamente possível, de modo a disputá-las com o PSD e com o CDS".

Nuno Melo acusou esta sexta-feira o líder do CDS de dar "o dito pelo não dito" e de ter cedido a uma chantagem do primeiro-ministro. O candidato à liderança dos centristas referiu-se à possibilidade adiantada na quinta-feira por Francisco Rodrigues dos Santos de adiar o congresso do partido, marcado para 27 e 28 de novembro, se o Orçamento do Estado para 2022 for rejeitado.

"Ontem o atual líder do CDS deu o dito por não dito e admitiu suspender o Congresso que o próprio tinha convocado. A falta de maturidade democrática não durou nem sequer uma semana e prejudica gravemente a imagem da Instituição que é o CDS", escreveu Nuno Melo numa mensagem publicada na sua página do Facebook.

Nuno Melo criticou o adversário interno por cair na estratégia de António Costa, que deseja "um cenário de crise política e de eleições antecipadas o mais rapidamente possível, de modo a disputá-las com o PSD e com o CDS na sua configuração atual e com as lideranças atuais".

"No caso do CDS, os militantes perceberam, sem margem para grandes dúvidas, o que o Dr. António Costa pretende: ir a votos com o nosso Partido como está agora, o mais fraco possível e sem uma liderança credível e mobilizadora", sublinhou.

Para o eurodeputado, "sejam quais forem os cenários do Orçamento de Estado, na generalidade ou na especialidade, o CDS tem de mudar", argumentando que "se já era desejável, agora é imperativo", porque "com lideranças fracas e hesitantes o CDS corre riscos demasiado graves".

O também líder da distrital de Braga do CDS-PP, e antigo vice-presidente do partido, disse que Francisco Rodrigues dos Santos demonstrou falta de maturidade democrática, limitando-se a mimetizar a estratégia e as declarações do PSD e do seu presidente, subalternizando o partido para adiar a realização do congresso.

"O que se viu ontem foi a direção do CDS a mimetizar a estratégia e as declarações do PSD e do seu presidente, subalternizando o partido mais uma vez na busca de pretextos para adiamento do congresso agendado para a data que quis impor, por perceber que a candidatura alternativa que represento soma apoios todos os dias de Norte a Sul, nos Açores e na Madeira. O CDS não é um apêndice do PSD", vincou, acusando também a direção de "ziguezague permanente".

Nuno Melo deixou, ainda, um alerta: "Um partido de oposição não marca e desmarca Congressos porque o primeiro-ministro faz ameaças. Uma direita confiável não vai atrás das perturbações internas da "geringonça", nem condiciona a sua estratégia às armadilhas do poder socialista."

"Serei candidato a Presidente do Partido com uma equipa renovada e forte e quadros capazes para mudar o CDS e dar ao nosso espaço politico esperança e robustez. E serei candidato pelo bem do CDS e não com medo do que o PS ameace fazer, ou porque pretenda copiar o que o PSD pretende ser", remata.

O 29.º Congresso do CDS-PP está agendado para 27 e 28 de novembro.

No Conselho Nacional de domingo, Nuno Melo (e também vários apoiantes) criticou que aconteça no mesmo fim de semana da reunião magna do Chega, pedindo o adiamento.

Numa outra publicação no Facebook, o eurodeputado apontou que "nunca" convocaria "um Congresso em plena discussão do Orçamento de Estado".

São candidatos à liderança do partido o eurodeputado Nuno Melo e o atual presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos.

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