Dinheiro de Bruxelas ganha luz verde em julho

A poucos dias do início da presidência alemã da União Europeia, que antecede a portuguesa, o MNE confia na aprovação de fundo europeu no próximo mês. O orçamento plurianual também... ou em setembro. "É crucial", afirma Santos Silva.

O objetivo da presidência alemã será ter "os instrumentos financeiros indispensáveis para alavancar a recuperação da economia europeia", afirma o Ministro dos Negócios Estrangeiros em entrevista à TSF, esta sexta-feira.

Calhou bem a Portugal a rotação neste trio de presidências, com início a 1 de julho. A Alemanha primeiro - com o peso que tem - força os acordos e Portugal tratará da implementação. "Os alemães, com o sentido prático que o caracteriza, descrevem a sua presidência assim: 'A nossa prioridade é em julho aprovar o quadro financeiro plurianual e o fundo de recuperação, e, até dezembro, concluir o acordo sobre a futura relação com o Reino Unido.'"

Se as coisas correrem bem como eu desejo e julgo que vão decorrer, nós teremos (durante a presidência portuguesa) duas responsabilidades muito importantes".

Portugal vai assegurar a implementação do quadro financeiro plurianual e do fundo de recuperação "logo nos primeiros meses de 2021, e proceder de igual modo à implementação do acordo sobre a futura relação com o Reino Unido; se as coisas não correrem tão bem, nós poderemos vir a ter novas responsabilidades em matéria de negociação com o Reino Unido". Em relação ao quadro financeiro e ao plano de recuperação, Augusto Santos Silva afirma estar "muito convicto de que vamos chegar a acordo em julho, senão em julho pelo menos no início do outono, porque é absolutamente crucial".

O responsável pela diplomacia portuguesa não tem dúvidas de que a transição digital se tornou "mais premente com a pandemia". Augusto Santos Silva considera também "boa a proposta da Comissão que cria, pela primeira vez, um programa europeu na área da saúde" e só se superam os problemas que hoje enfrentamos, "quer com desenvolvimento económico, quer com reforço do nosso modelo social".

A Europa, afirma o governante, "estará confrontada, nas próximas décadas, com duas grandes transições, aliás associadas entre si: a transformação digital da economia, e da nossa vida em geral , por um lado; e, do outro lado, a transição climática que tem componentes de transição energética, mas também componentes de biodiversidade. Portanto, nós entendemos que a grande força que a Europa tem para operar com sucesso essas duas grandes transições é o seu modelo social".

Para o chefe da diplomacia portuguesa, "é preciso desenvolver as qualificações das pessoas, é preciso ter sistemas de inovação muito vibrantes e operativos e é preciso que haja uma proteção social forte". Santos Silva confidencia na entrevista à TSF que sempre disse aos "amigos alemães e eslovenos" (que, com Portugal perfazem o próximo trio de presidências do Conselho da União Europeia) que Portugal entende que "o valor acrescentado da presidência" que o país vai ter no primeiro semestre do próximo ano, "iria ser este foco no social".

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