"Fui acusado de não ter pedigree, mas esse partido classista comigo não existe" 

Francisco Rodrigues dos Santos sobreviveu a mais um tenso - para dizer o mínimo - conselho nacional do CDS e levou avante a marcação do congresso eletivo no fim de semana de 27 e 28 de novembro. À TSF, o líder centrista diz que a motivação da oposição interna não tem que ver com política, mas com agenda pessoal, e não exclui cenário de coligação com o PSD antes das eleições de 2023.

Uma chuva de críticas depois, Francisco Rodrigues dos Santos conseguiu sair vencedor do Conselho Nacional marcado de urgência para agendar o próximo congresso do CDS. Protagonizou momentos de alguma tensão com o anterior adversário - João Almeida - e ouviu críticas duras do atual desafiador: Nuno Melo. Entre elas, a de que o partido não é uma associação de estudantes.

Críticas desvalorizadas pelo atual líder centrista, que até vai mais além e lembra os momentos em que a "associação" dava jeito. Mas, primeiro, o lembrete sobre aquilo que herdou.

"Sei o partido que recebi. Os senhores que não são da associação de estudantes deixaram-me um partido absolutamente endividado, com o pior resultado eleitoral de sempre em eleições europeias e legislativas, com dois partidos à nossa direita, e estamos a recuperar o partido aos poucos, apesar da herança que recebemos desses senhores que não eram da associação de estudantes", enquadra Rodrigues dos Santos.

"O que é verdadeiramente notável é que quando eram necessários esses jovens das associações de estudantes para fazer campanha, compor listas, andar na rua a ajudar os candidatos, angariar votos para poder eleger esses senhores, a associação de estudantes era muito boa. Agora, como de repente a associação de estudantes já tem mérito próprio, percurso político e se emancipou, já não presta para nada e lá vem o grupo dos outros senhores querer tomar conta do partido sem novidade nenhuma, só por uma tentativa de recuperação e resgate de um poder que se habituaram a ter nas mãos durante muito tempo", critica.

Nesse mesmo sentido, fazendo eco daquilo que disse na reunião interna aos conselheiros nacionais, Rodrigues dos Santos nota que o que move a candidatura de Nuno Melo é uma agenda pessoal e não política, sublinhando ter sido "acusado de não ter pedigree" para o CDS pela oposição interna.

"Esse partido classista comigo não existe, sou defensor de um partido popular aberto a toda a sociedade, queremos contar com os melhores e creio que essa ascensão tem sido feita. Temos de continuar a renovação do partido, não podemos recuar, temos de olhar para a frente e não para trás e fazer deste partido um partido de todos e não de grupo", aponta o presidente do CDS em declarações à TSF na sede nacional.

"São muitas vezes estas lógicas grupais que movimentam estas candidaturas à liderança do partido. Ouvi o meu oponente dizer que esta era uma luta pela decência dentro do CDS, como se nós fossemos os indecentes e os que apoiam o meu opositor fossem os decentes. Quem coloca o patamar neste nível, está a perceber-se que isto não tem nada que ver com política", conclui.

E o PSD entra nas contas de Rodrigues dos Santos em 2023? Na intervenção inicial que fez aos jornalistas, antes do Conselho Nacional, Rodrigues dos Santos pediu uma clarificação a Nuno Melo sobre se quer enveredar pelo caminho da "direita trauliteira". À TSF, não se alonga neste tópico, como também não se alonga muito sobre o futuro com ele à frente do partido.

Confiante na própria vitória no próximo congresso, importa que Francisco Rodrigues dos Santos clarifique se o projeto que tem é o de ir pré-coligado a eleições com o PSD? O cenário não está fora da mesa.

"Quero para futuro, em primeiro lugar, não excluir nenhum cenário, mas, por outro, perceber que o contributo do CDS não pode ser meramente aritmético ou matemático. Quero que CDS tenha marca forte e consolidada através de valores, ideias e propostas para o país. Só com CDS forte é que podemos ter centro-direita forte, até lá quero robustecer o CDS, dar-lhe músculo e maior afirmação política nacional e depois logo se verá que caminho podemos seguir", afirma.

Mas não exclui esse cenário? "Não, não excluo esse cenário, está em aberto, como também o de irmos sozinhos a eleições", diz Rodrigues dos Santos, sem mencionar uma outra variante: a contenda interna no parceiro habitual, o PSD, e que também está prestes a começar.

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