"A mulher certa no lugar certo." As reações à pasta europeia de Elisa Ferreira

Se o PSD assume o "desencanto" e o Bloco de Esquerda não esconde o receio de possíveis influências da Comissão Europeia em pasta recém-criada, o PS e o Governo açoriano fazem questão de frisar importância do cargo.

Paulo Rangel sente-se desencantado com o cargo atribuído a Elisa Ferreira, e admite à TSF que, apesar de a pasta da Coesão e Reformas ser "importante", esperava mais.

"A pasta da Coesão e das Reformas é importante, sem dúvida. Também não tenho dúvidas de que, para a pasta da Coesão, a capacidade e a competência de Elisa Ferreira são totais", começa por dizer Rangel. No entanto, o eurodeputado social-democrata põe em causa "se isso trará ao país uma vantagem, porque, sendo uma portuguesa responsável pela comissão nessa área, como é que vai poder influenciar isto mesmo?"

Paulo Rangel responde: "Terá de ser arbitral. Eu não acho esta a melhor pasta para Portugal."

Com "um certo desencanto", o social-democrata responsabiliza António Costa pelo desapontamento. "Fico um pouco dececionado...Estava à espera de mais. Também pela própria expectativa que o primeiro-ministro criou", comenta.

Paulo Rangel esperava um cargo de peso para a comissária europeia. "Uma pessoa com a experiência de Elisa Ferreira, nesta área em particular, poderia obter uma vice-presidência, por isso o Governo português não teve capacidade negocial para impor isso."

Bloco de Esquerda aponta receio de "interferência inaceitável" de Ursula von der Leyen

Já José Gusmão, eurodeputado do Bloco de Esquerda, afirma que acredita plenamente nas capacidades de Elisa Ferreira, mas aponta a possibilidade de a criação desta área de influência servir para controlar as reformas em cada um dos Estados-membros.

"Se a intenção da presidente da comissão for começar a racionar os fundos de coesão em função do tipo de reformas que são implementadas pelos vários Governos - o que seria, aliás, consistente com o seu pensamento, mas seria um instrumento de interferência inaceitável nas competências dos Estados-membros e na sua soberania democrática -, o que esperamos de Elisa Ferreira é que se oponha a esse projeto e que se bata por uma política de coesão que respeite as escolhas que são feitas ao nível nacional."

O eurodeputado explicita em que matérias considera importante Elisa Ferreira manter-se neutra quanto a possíveis pressões: em "questões tão importantes quanto o mercado de trabalho ou a regulação de atividades económicas".

"Temos expectativas em relação a Elisa Ferreira no sentido de não permitir que isso não aconteça com os fundos de coesão e com as reformas estruturais", faz questão de frisar José Gusmão, ouvido pela TSF.

PS fala em metas de "convergência"

O socialista Carlos Zorrinho também sublinha a sua confiança na comissária, já que esta é uma "protagonista com um perfil indicado para fazer um grande trabalho". "Esta é uma pasta muito importante, uma das mais importantes deste colégio de comissários", assinala Zorrinho.

"A Elisa Ferreira tem os instrumentos da convergência. Por um lado, os fundos de proximidade, os fundos de coesão, e, por outro lado, os fundos de transição, ou seja, aqueles recursos que vão permitir que as regiões e os países da UE façam uma transição energética para a descarbonização que seja justa e equilibrada, convergente, e os recursos que permitem uma transição digital convergente."

Para o eurodeputado, o cargo abre uma forte "possibilidade de desenvolver a capacidade orçamental da UE, algo que nós sempre defendemos".

Carlos Zorrinho salienta esta "vitória para a União Europeia e para Portugal", e frisa a "satisfação por ver traduzida numa pasta do colégio de comissários aquela que é a visão de convergência que sempre temos vindo a defender para o futuro da Europa".

CDS lamenta que Elisa Ferreira não tenha conseguido vice-presidência

"Eu quero dar os parabéns à doutora Elisa Ferreira pela escolha e pelas atribuições", manifesta Nuno Melo.

No entanto, o centrista admitiu que lamenta que Elisa Ferreira "não tenha sido escolhida como uma das vice-presidentes, porque foram muitas as vice-presidências atribuídas", e deixa um apelo: "que Elisa Ferreira tenha a capacidade de inverter o que já está previsto em matéria de fundos de coesão para Portugal".

Governo dos Açores saúda "mulher certa no lugar certo"

O presidente do Governo dos Açores, o socialista Vasco Cordeiro, também reagiu, e considerou que Elisa Ferreira, indicada para comissária europeia com a pasta da Coesão e Reformas, é "a mulher certa no lugar certo".

"Pela sua competência, pelas suas qualificações, mas também pela sua sensibilidade política e pelo conhecimento que tem, desde logo, do território de um país como Portugal, com as suas regiões ultraperiféricas dos Açores e da Madeira, a assunção desta área em concreto traz-me a fundada esperança de que a Coesão, um dos grandes desígnios do projeto europeu, possa ganhar uma relevância acrescida, uma capacidade de concretização mais determinada e uma relevância política mais consistente", diz o chefe do executivo açoriano em nota enviada à imprensa pelo seu gabinete.

Para Vasco Cordeiro, "está de parabéns o projeto europeu por ter uma pessoa com as qualidades, competência e determinação" de Elisa Ferreira "aos comandos de uma área fundamental - e algo maltratada nos últimos anos -, como é a Coesão, e está de parabéns o Governo português pela forma como conduziu este processo", trazendo para Portugal "uma pasta de extrema relevância com uma personalidade que, pelo seu trabalho" dignificará a União Europeia e prestigiará o país.

Elisa Ferreira, a primeira mulher designada para Portugal para o colégio da Comissão Europeia, terá a seu cargo a pasta da Coesão e Reformas no executivo liderado por Ursula von der Leyen, um pelouro também inédito, foi revelado esta terça-feira.

Segundo Vasco Cordeiro, embora o processo de nomeação da nova Comissão Europeia ainda decorra, "podemos dizer que está de parabéns o projeto europeu por ter uma pessoa com as qualidades, competência e determinação da Dra. Elisa Ferreira aos comandos de uma área fundamental - e algo maltratada nos últimos anos -, como é a Coesão, e está de parabéns o Governo português pela forma como conduziu este processo, 'ganhando' para Portugal uma pasta de extrema relevância com uma personalidade que, pelo seu trabalho, estou certo que dignificará a União Europeia e prestigiará o nosso país".

"É uma pasta bastante relevante para Portugal"

O eurodeputado do PAN qualificou de "relevante" e "exigente" a pasta atribuída a Portugal na nova Comissão Europeia, da Coesão e Reformas, afirmando esperar que o pelouro da comissária Elisa Ferreira tenha "pendão de emergência climática".

"É uma pasta bastante relevante para Portugal e para a Europa e que é exigente, mas à qual a dra. Elisa Ferreira certamente responderá com a maior responsabilidade e eficiência, como tem mostrado ao longo dos anos, não só ao nível dos fundos regionais, de coesão, mas também sendo uma ferramenta orçamental para a transição energética, o que nos parece bastante relevante", afirmou o eurodeputado Francisco Guerreiro à agência Lusa, em Bruxelas.

Reagindo ao anúncio da pasta portuguesa, feito hoje pela presidente eleita da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o eleito do PAN observou que a comissária designada por Portugal, Elisa Ferreira, "tem alguma sensibilidade em matéria ambiental".

"Queremos ver até onde vai essa sensibilidade e tudo faremos para garantir que esses fundos são alocados do modo mais correto e que haja esse pendão de emergência climática nesta alocação dos fundos", salientou.

Ao mesmo tempo, o PAN disse esperar "um melhor valor possível para estas alocações, sem grandes alterações nos fundos de coesão, que são tão fundamentais para o país".

"É uma pasta bastante relevante até porque foi reforçada: não é só relativamente aos fundos de coesão, mas também tem uma ferramenta orçamental para a transição energética, que é muito importante e que fará com que se consiga também caminhar para a descarbonização de modo mais rápido", reforçou Francisco Guerreiro.

PCP destaca a necessidade de garantir fundos

Em Palmela, o secretário-geral do PCP explicou que, mais importante do que gerir fundos, é decidir onde é que os mesmos devem ser aplicados.

"Todos estamos de acordo que é necessário cativar fundos para Portugal", começou por ressalvar Jerónimo de Sousa, sem esquecer a necessidade de definir atempadamente qual o destino dos mesmos.

"Mau seria que, mais uma vez, fossem os mesmos do costume a ficar com a parte de leão dos fundos comunitários", identificando o desenvolvimento regional como uma das áreas nas quais deve haver maior investimento.

Sobre Elisa Ferreira, o secretário-geral do PCP garantiu "não ter nada contra a senhora" nem qualquer reparo a fazer em termos políticos.

"A verdade é que o problema está sempre nos centros de decisão", explicou Jerónimo de Sousa.

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