Pardal Henriques: "Não tenho dúvidas de que serei eleito"

Garante que recebeu convites de vários partidos mas optou pelo PDR de Marinho e Pinto porque se identifica com os valores do colega advogado. E tem uma certeza: vai ser eleito.

Confiança não lhe falta. Pedro Pardal Henriques, que se catapultou para a ribalta mediática à conta dos motoristas de matérias perigosas, despiu o fato de "sindicalista" e vestiu o de "político". Se esta nova carreira durará mais do que a anterior, os eleitores decidirão.

Na primeira entrevista que dá ao semanário Expresso, depois de se assumir como candidato às próximas legislativas, Pardal Henriques, afirma, com todas as letras: "não tenho dúvidas que serei eleito". Arrogância? Não, o empresário e advogado está plenamente convencido "pelas manifestações de apoio que temos tido" que a sua próxima morada profissional será a Assembleia da República.

Não será, seguramente, o Maserati que conduz, que o vai transportar mais depressa para o Parlamento, nem tenciona percorrer o país, em campanha, ao volante do carro de luxo. E até admite que ter chegado a uma greve de trabalhadores ao volante de um carro como este, é "uma mensagem de alguém que não refletiu sobre tudo o que poderia vir daquela greve." Recusa a ideia de que se meteu na luta dos motoristas "pelo dinheiro, mas sim pelas causas. Se tivesse chegado àquela greve numa Renault 4L os ataques eram contra o advogado de vão de escada a precisar de subir na vida."

Foi o PDR de Marinho e Pinto que lhe deu esta oportunidade se se candidatar a deputado, ainda que, Pardal Henriques, confesse que foi convidado por "vários partidos" para integrar as listas à Assembleia da República, incluindo alguns com representação parlamentar.

Mas foi Marinho e Pinto quem lhe falou ao coração. "Um dos motivos por que aceitei o convite do Marinho e Pinto foi porque ele não se encontra mais à esquerda ou mais à direita", explica o advogado, que considera o PDR um partido que defende "valores muito próximos da direita" sendo, ao mesmo tempo "um partido central." E o próprio Pardal Henriques? É de direita ou de esquerda? "Eu identifico-me mais com valores de esquerda. Se calhar iria sentar-me entre o PS e os outros da esquerda."

"Sou a pessoa quem menos beneficiou"

Se há seis meses o país nunca tinha ouvido falar de Pardal Henriques, hoje dificilmente deve existir um português que não o conheça. Foi ele o rosto - e em parte o mentor - de duas greves que ameaçavam fazer parar o país. Agora, que todos o conhecem, sente-se pronto para entrar na política, mas não se sente beneficiado pela luta dos motoristas, bem pelo contrário, "eu sou a pessoa que menos beneficiou", responde ao Expresso. O advogado garante que nos últimos meses perdeu "muitos clientes", mas admite que, se não fossem as greves, provavelmente ninguém o convidaria para ser candidato a deputado.

O convite de Marinho e Pinto, revela, surgiu há dois meses - entre a greve de abril e a de agosto - e, se for eleito, garante que não será deputado em exclusividade. Afirma-se como um homem de esquerda, mas garante que não se identifica "com as ideologias do PCP" porque não é "contra as empresas" e até considera importante que elas deem "lucro". Só não concorda que "possam existir empresas a faturar milhões à custa de explorarem pessoas e de imposições que violam leis."

Se esta parte do discurso parece já estar bem oleada, no restante Pardal Henriques é ainda muito parco em palavras quando as perguntas versam sobre o papel do Estado na saúde ou na educação, por exemplo. "Há espaço para as duas coisas, para o privado e para o público."

Que diferença fará no Parlamento alguém com a suas características? Pardal Henriques promete falar "sobretudo em nome dos valores conquistados em abril, que estão a perder-se e sobre as causas dos trabalhadores", algo que, considera o agora candidato a deputado, o PCP e o BE não têm feito: "Se fizessem não se teria assistido ao que se assistiu nos últimos anos. Como é que se justifica esta passividade no meio de tudo o que se passou? Com exceção do último dia, não se ouviu uma voz da esquerda a dizer que há aqui um problema".

Pardal Henriques entende que o silêncio do PCP e do BE está ligado ao suporte que têm dado ao atual governo e que os dois partidos estão a "aburguesar-se". Daí que o advogado considere estes dois partidos "mas também o PS" os seus principais adversários políticos, "partidos que são hipoteticamente de esquerda e que hipoteticamente defendem causas que na prática não se verificam".

Quando olha para o centro-direita, Pardal Henriques vê um PSD "condicionado" pelo que aconteceu com os professores e um Rui Rio a quem "tem faltado coragem para se assumir como verdadeira oposição. Vejo um homem cansado".

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