"PCP é um verdadeiro partido de massas, o Bloco é um partido de mass media"

António Costa admite que é diferente trabalhar com Bloco de Esquerda ou com o PCP dá a entender que prefere o estilo dos comunistas. Ainda assim não afasta acordos no futuro com nenhum destes partidos, caso o objetivo principal - reforçar a votação no PS - não se concretize.

Falta pouco mais de um mês para as eleições. O enquadramento temporal ajudará a explicar muitas das declarações de António Costa, na entrevista que dá este sábado ao semanário Expresso, onde disserta longamente sobre os dois partidos que lhe sustentaram o governo nos últimos quatro anos. "Há um amigo meu que compara o PCP ao Bloco de uma forma muito engraçada: é que o PCP é um verdadeiro partido de massas, o Bloco é um partido de mass media. E isto torna os estilos de atuação diferentes. Não me compete a mim dizer qual é melhor ou pior, não voto nem num nem no outro", remata o primeiro-ministro.

Costa prossegue a sua análise aos partidos que formaram a geringonça e garante que não quer "ser injusto", mas lembra que "são partidos de natureza muito diferente. O PCP tem uma maturidade institucional muito grande. Já fez parte dos governos provisórios, já governou grandes Câmaras, tem uma forte presença no mundo autárquico e sindical, não vive na angústia de ter de ser notícia todos os dias ao meio-dia... Isto permite uma estabilidade na sua ação política que lhe dá coerência, sustentabilidade, previsibilidade, e portanto é muito fácil trabalhar com ele", justifica, revelando que trabalha bem com Jerónimo de Sousa.

António Costa continua a repetir, a cada oportunidade, que "nesta legislatura o PS foi o grande fator de estabilidade". Sobre cenários pós eleitorais, garante que não faz "escolhas de parceiros" e que o grande objetivo é "ganhar com o melhor resultado possível", sem nunca se verbalizar a expressão maioria absoluta.

No balanço dos últimos quatro anos, Costa faz "uma avaliação muito positiva desta legislatura", mas aproveita para deixar uma "bicada" aos parceiros da geringonça: "Não dizemos como Catarina Martins que esta legislatura foi uma batalha da esquerda contra o PS, porque é uma descrição que manifestamente descola da realidade, nem temos de ter as angústias de Jerónimo de Sousa a dizer todos os dias: 'Este não é o nosso Governo nem apoiamos este Governo.' Eu posso dizer o contrário: temos muita honra e orgulho no que fizemos, por devolver confiança aos portugueses", remata o primeiro-ministro, com um elogio ao que foi feito nos últimos quatro anos.

A pouco mais de um mês das eleições Legislativas, António Costa considera que os compromissos assumidos estão cumpridos e que é tempo de olhar para o futuro, com a necessidade de seguir o caminho que tem sido feito até aqui."Os dados são claros e irrefutáveis: uma economia sistematicamente a divergir da UE desde a adesão ao euro começou a convergir com a Europa em 2017, 2018... e em 2019 ainda mais vai convergir...", justifica o primeiro-ministro em entrevista ao Expresso .

Agora, diz, "o essencial é haver garantia da estabilidade das políticas, para que, perante um cenário negativo, Portugal possa prosseguir a trajetória que iniciou há quatro anos".

Do défice, à dívida, Costa fala num resultado "positivo", com a certeza de que foram criadas "condições" para haver um "músculo de intervenção económica de que o país pode dispor durante os próximos anos e que é essencial no próximo quadro".

Costa usa o exemplo espanhol e avisa que é preciso "perceber os riscos do que pode ser um PS fraco e um Podemos forte - significa a ingovernabilidade e a impossibilidade de haver uma solução governativa feliz". Numa espécie de ensaio para o discurso eleitoral que se avizinha, Costa considera que o País saíu a ganhar "por ter um PS forte, que é capaz de respeitar outras forças políticas mas que garante essa estabilidade. Um cenário à espanhola, com um PS fraco e o nosso Podemos forte, seguramente inviabilizaria a estabilidade política", exemplifica.

O passado foi lá trás e o que foi não volta a ser, mas "independentemente do que seja o resultado eleitoral", diz António Costa, a atual solução governativa teve virtualidades que devem ser valorizadas e aproveitadas". A decisão fica "finalmente" nas mãos do eleitor.

Costa leu programa do PSD... na diagonal

Não leu o programa do PSD "de fio a pavio", mas o que encontrou chega para afirmar que se trata de um "mau exemplo do que deve ser um programa de um partido que pretende ser Governo". Costa avisa Rui Rio que "não pode prometer tudo a todos", mas não se alarga nos comentários aos momento atual dos sociais-democratas por não ser "elegante" e porque o PSD já tem "problemas que cheguem."

Familygate é um "passivo" que vai entrar na campanha

Durante a entrevista, António Costa não 'fugiu' ao familygate, mas reiterou a certeza "de que nenhum membro do Governo interveio direta ou indiretamente em benefício de qualquer empresa onde tenham interesse".

Já quanto ao parecer que pediu ao Conselho Consultivo da PGR, o primeiro-ministro continua a aguardar uma resposta, mas não se compromete a ser consequente com as conclusões: "Se se entender que a interpretação da lei deve ser estendida na sua literalidade, será esse o entendimento da lei, eu respeitarei esse entendimento", o que não significa que o governo homologue essa posição. "Se pergunta se ficarei surpreendido, bom, ficarei", admite Costa, que decidirá, a seu tempo, o que fazer com a resposta do Conselho Consultivo: "Vou fazer o que se faz com qualquer parecer. Vou analisar o parecer e, se concordar homologo, se não concordar não homologo... ou não", refere.

O primeiro-ministro assume que este tema é "seguramente um passivo" que leva para a campanha, "mas também para o rigor da informação em Portugal". "Contas feitas a 62 gabinetes de membros do Governo, só foram detetadas três situações de pessoas (num universo próximo das mil) que tinham alguma relação familiar com algum membro do Governo. E a única que tinha a ver com o próprio que o nomeou implicou a demissão do secretário de Estado", recordou.

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