"Não abdico da liberdade de pensar." Tiago Sousa Dias demite-se de secretário-geral do Chega

Tiago Sousa Dias tinha ficado de fora das opções de André Ventura para as eleições legislativas e agora deixa a direção do partido.

Tiago Sousa Dias anunciou esta quinta-feira que se demitiu do cargo de secretário-geral do Chega depois de ter ficado de fora das opções de André Ventura nas eleições legislativas.

"Não abdico da liberdade de pensar por mim e de apenas me dedicar ao que verdadeiramente me motiva. Quando discordo, digo-o. Quando concordo também. Essa é a minha primeira e primária forma de ser leal. Não sou de surpresas nem atos surpreendentes e, para quem acredita na minha palavra, sou o ser mais previsível que por aqui anda. Para alguns é defeito; para mim é virtude", escreveu Tiago Sousa Dias na sua página de Facebook.

Nesta mensagem, Tiago Sousa Dias explica que sempre recusou ter um salário no partido e garante que salvou o Chega "de um pântano" que custaria o bom resultado que o partido conseguiu nas legislativas.

O agora ex-secretário-geral do partido não viu o seu nome na lista para as legislativas, foi um dos poucos elementos da direção que não concorreu a deputado e bate agora com a porta, mas garante que vai continuar como militante do partido.

"Transmiti ontem ao presidente do partido a minha indisponibilidade para continuar na função de secretário-geral, e entendo dever prestar uma palavra singela em público, não tendo direito ao silêncio. Tentei, por todos os meios, perceber e enquadrar-me no caminho que o Chega tem pela frente, mas na ausência de respostas, não encontrei outra solução. A minha discordância não se prende com a essência deste partido, na qual continuo a acreditar, nem gera em mim qualquer sentimento (estimulante ou depressivo)", referiu, indicando que continuará militante do Chega e "livre".

Indicando que a sua discordância é "pura, objetiva e bem delimitada", o dirigente afirmou que na sua saída "não há dramas, não há gravidades, não há querelas pessoais", mas "discordância e a assunção da responsabilidade pessoal de ser consequente com ela".

"E na discordância podemos por vezes encontrar formas de dar de nós sem atrapalhar o trabalho principal. Outras, sem solução, devemos simplesmente colocar de lado os egos, os títulos ou as honras, dando espaço a que outros, mais enquadrados no espírito e na missão designada, possam simplesmente dar mais de si do que eu conseguiria neste momento", justificou.

Tiago Sousa Dias referiu que em novembro do ano passado recusou ser assalariado do partido, considerando que "quem está nos órgãos nacionais não deve ter simultaneamente uma remuneração, o que sempre limitaria a sua liberdade".

"Quem me conhece mais profundamente sabe que sempre fui assim e que nunca deverão ter a expectativa, que sempre sairá gorada, de mudar isso em mim", salientou.

No texto, Tiago Sousa Dias disse ter "muito orgulho no trabalho" que desenvolveu enquanto secretário-geral do Chega, "sempre a título gratuito", elencando: "Limpei juridicamente o partido; edifiquei uma nova estrutura jurídica que, com as virtudes e defeitos que possa ter, me parece mais sólida e para o final salvei o partido de um novo pântano que nos custaria o bom resultado que tivemos nestas eleições".

O dirigente demissionário justificou também que se manteve em "silêncio até ao encerramento do processo eleitoral que termina na contagem dos votos da emigração" por "entender que as instituições" são "mais importantes" do que a sua circunstância pessoal.

LEIA AQUI TUDO SOBRE AS LEGISLATIVAS 2022

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