Obrigatório votar? "Até podiam lá ir votar em branco, mas iam lá"

O guia turístico José Martins nunca falhou uma ida às urnas e concorda com o voto obrigatório.

José Martins, um dos guias turísticos da cidade de Elvas, nunca falhou um ato eleitoral. Recorda à TSF o entusiasmo com que depositou o primeiro boletim numa urna e lamenta a abstenção aos dias de hoje, considerando que já é tempo de se pensar no voto obrigatório.

Recuemos até ao dia 25 de abril de 1975 em que José Martins saiu de casa para ir votar pela primeira vez em eleições livres. Tinha 24 anos. "Foi uma grande euforia aqui na minha terra, tínhamos livrado de 48 anos de ditadura. As pessoas queriam votar para que não houvesse possibilidade disto voltar atrás", relembra.

De 1975 para cá vão longas filas de distância entre as assembleias de voto. José Martins explica: "Naquele tempo para conseguirem votar, as pessoas faziam bastantes filas. Às vezes alguns queriam passar à frente, mas no fim corria sempre tudo bem", relata.

José Martins, hoje com 71 anos, é o guia do Forte de Santa Luzia, à entrada de Elvas - do lado de Badajoz à vista - , onde o fomos encontrar entre um grupo de turistas a explicar a história que por ali se escreve desde 1648. Mas avancemos até aos dias de hoje para tentar perceber o que tem afastado o eleitorado das urnas.

"As pessoas, como estão mais informadas, já não ligam tanto à política e não confiam nos nossos políticos", sublinha, sendo também pela questão de informação disponibilizada aos jovens que José Martins vê com bons olhos a possibilidade de reduzir a idade de voto para os 16 anos, como já propôs o PAN.

Eis o argumento: "Há 20 anos não fazia sentido, mas hoje faz. Hoje um jovem com 16 anos tem muito mais informação do que eu tive na altura do 25 abril e está muito mais capacitado. Um jovem de 16 anos é capaz de pensar da mesma maneira que um de 18", sublinha.

E quanto à solução do voto obrigatório, como é o exemplo do Brasil? José Martins concorda. "Aqui diz-se que votar é um dever cívico, mas eu acho que toda a gente devia ser obrigada a votar. Até podiam lá ir votar em branco, mas iam lá", resume.

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