PAN foi a Cascais procurar "abate ilegal de árvores" e saiu com apelo: "Têm de se informar"

A autarquia explica que o objetivo é preservar e "tornar a floresta mais resiliente aos incêndios".

Depois de ter recebido denúncias sobre o abate de árvores no Parque Natural de Sintra-Cascais, caso que teve propagação nas redes sociais, Inês Sousa Real foi à serra ver com os próprios olhos. À espera da deputada estavam elementos da câmara municipal, que defenderam a legalidade do processo, com uma intervenção que foi validada na Comissão de Defesa da Floresta.

As associações ambientalistas falam num "crime ambiental", com abate de várias espécies de árvores, como explicou, no início da visita, o vice-presidente do Grupo Ecológico de Cascais. Pedro Jordão fala num "mar" de desflorestação, "uma área enormíssima".

No primeiro ponto de paragem, num percurso feito de carro, estavam membros do Executivo da câmara de Cascais, a proteção civil, bombeiros, e o diretor da Cascais Ambiente, João Melo, que embora admita que "são vários hectares", explicou a legalidade do processo.

"As pessoas manifestam as suas preocupações, que são legítimas, mas têm que se informar sobre as coisas. Existem planos de ordenamento e recentemente foi aprovado um plano de paisagem. Estamos aqui a ver uma intervenção com um objetivo muito importante: a descontinuidade do acacial".

João Melo acrescentou que "as zonas onde não existem acácias, mas espaços abertos, é muito mais interessante biodiversidade. É nesses locais que as aves de rapina "caçam e têm alimento".

O objetivo é preservar e "tornar a floresta mais resiliente aos incêndios", para que os fogos de 2018 não voltem a ocorrer. A população queixa-se que há outras espécies a serem cortadas, mas a autarquia garante que são "árvores mortas".

"É muito mais importante termos uma clareira, do que espaços que dão sombra, mas em termos de conservação não valem nada. Isto está na bibliografia, quem perceber minimamente sobre o impacto das invasoras, sabe que é um dos principais riscos das alterações climáticas", sustentou.

Inês Sousa Real ouviu as explicações dos membros da autarquia de Cascais e, no final de contas, admite que pode haver "falta de conhecimento".

"Há, de facto, uma necessidade de maior informação para a população. Recebemos vários emails, até nas redes sociais, de muitos cidadãos preocupados com a intervenção. O que não deixa de ser positivo, temos hoje uma sociedade mais sensível", salientou.

Por outro lado, a líder do PAN sublinha até a importância da intervenção, com a manutenção "de todo e qualquer no país, com o cuidado de preservar as árvores autóctones".

Inês Sousa Real garante que vai continuar atenta a todo o processo, com novas reuniões com a Câmara de Cascais.

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