"Tenho todas as condições para unir o PSD e para vencer as próximas legislativas em 2023"

Eurodeputado de 53 anos é vice-presidente do Partido Popular Europeu, candidata-se ao lugar de Rui Rio, e garante que a primeira medida como líder do PSD - se for eleito - será a de propor o regresso dos debates quinzenais com o primeiro-ministro.

O eurodeputado Paulo Rangel apresentou, esta sexta-feira, a sua candidatura à liderança do PSD, poucas horas depois de o ter anunciado no Conselho Nacional do partido. No discurso de apresentação da candidatura, Rangel disse-se "persuadido" de que tem "todas as condições para unir o PSD" e para "vencer as eleições legislativas de 2023" com um Governo "estável". Se for eleito, garante, terá como primeira medida propor o regresso dos debates quinzenais com primeiro-ministro na Assembleia da República.

Sobre 2023, e de olhos postos nas legislativas, Rangel anunciou que vai "desafiar António Costa a liderar as listas do PS" nas eleições previstas para esse ano, garantindo que estará "pronto para liderar o partido e ter como adversário qualquer personalidade do PS".

"Quando for eleito", Rangel renunciará ao mandato de eurodeputado, mas ainda não decidiu o timing dessa decisão devido às responsabilidades que tem na União Europeia. "Serei líder com os dois pés em Lisboa", sublinhou. Questionado sobre a ideologia do partido, referiu que o PSD é "um partido social, a favor da redução do peso do Estado" e que o espetro vai "do centro-esquerda à direita moderada".

Candidatura contra as "elites"

O candidato à liderança social-democrata vê a sociedade portuguesa como "ainda aristocrática e tipicamente elitista", resistente à "mobilidade e à ascensão social" e com ampliação de "elites de todo o tipo: económicas, sociais, culturais".

"Portugal é um país pobre, profundamente desigual, sem igualdade de oportunidades, onde o elevador social só funciona para pessoas com capacidades excecionais", em detrimento de "cidadãs e os cidadãos médios que arrancam dos níveis mais baixos da sociedade". Por isso, explica, quer garantir a "mobilidade social".

Paulo Rangel acusa as "políticas socialistas" de terem ampliado o "grande fosso na sociedade portuguesa, o imobilismo de classe, a vantagem e o privilégio das mais
altas camadas sócio-económico-culturais" e argumenta que, se "nos anos 90, dizia-se que Portugal não podia parar, depois de 2000, Portugal parou".

O "tempo desperdiçado que nos estagnou, empobreceu, anestesiou e paralisou", defende, originou-se no "descalabro do PS socratista" e agravou-se na "agenda ideológica, fundamentalista e radical do PS costista", que diz estar "refém dos extremos da esquerda".

Os três desafios internos do PSD

"É fundamental que o PSD se perfile de novo como alternativa" e, para isso, o partido deve responder a "três desafios": o da liderança interna, que "tem de ser capaz de agregar", o de ser "oposição responsável" em contraste com uma "sistemática, ruidosa ou trauliteira" e a "questão do orçamento".

Sobre a vida interna do partido, Rangel critica o que chama de "espírito de fação ou de tribo, de separação cortante entre o eles e o nós" e garante que o seu projeto é "um espaço de diversidade, de diálogo, de unidade".

No relacionamento do Governo, Rangel critica a atual direção por ter, "em conivência com o PS, abolido os debates quinzenais" com o primeiro-ministro e assinala que "são eles que permitem confrontar o primeiro-ministro", realçando a importância dos mesmos "em 2008 e 2009 para retirar a maioria absoluta ao PS de José Sócrates".

"Assim que tome posse como líder do PSD, comprometo-me aqui a que a minha primeira medida será propor na Assembleia o regresso dos debates quinzenais", anunciou no seguimento.

O candidato garante não se conformar "com a ideia de o PSD ser um partido de pequeno ou médio porte" e explicou querer "projetar e exponenciar para o
plano externo" a capacidade agregadora do partido.

"O PSD tem de ser inflexível na defesa da independência dos tribunais e da liberdade de imprensa e de expressão", assinalou também Paulo Rangel, garantindo que o PSD "é pela liberdade, mas não é liberal": é, nas palavras do próprio, "liberalizador".

Na dimensão social, Rangel quer um PSD "aberto e cosmopolita, amigo da ciência e da cultura" e "contra todas as discriminações, da deficiência à raça, do género à condição económica", não correndo "atrás do politicamente correto".

Com 53 anos, é eurodeputado desde 2009, tendo sido, por três vezes consecutivas, cabeça de lista nas europeias pelo PSD, e é vice-presidente do Partido Popular Europeu.

Líder parlamentar do PSD entre 2008 e 2009, sob a liderança de Manuela Ferreira Leite, Rangel disputou a presidência do PSD em 2010, conseguindo 34,4% dos votos contra os 61% de Pedro Passos Coelho, numas eleições a que também concorreram José Pedro Aguiar Branco (3,42%) e Castanheira Barros (0,27%).

O presidente do PSD, Rui Rio, ainda não esclareceu se será ou não recandidato ao cargo.

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