PS aceita falar com todos? BE só entra em "conversas à esquerda"

Catarina Martins pressiona o PS e sublinha que Costa não pode contar com o BE para falar com partidos à direita. Numa entrevista conduzida por Fernando Alves, a coordenadora do Bloco volta a ser taxativa quanto à necessidade de um acordo celebrado à esquerda.

O Bloco de Esquerda entrará na conversa se for a conversa for à esquerda, e o PS deve esclarecer com quem quer falar. Catarina Martins reage desta forma às declarações de António Costa, que, na segunda-feira, não excluiu o diálogo com qualquer força política, com exceção da direita radical. Numa entrevista conduzida por Fernando Alves, na Manhã TSF, a coordenadora do BE defendeu que "as pessoas precisam de saber com o que é que contam" quando o PS diz que tanto pode conversar à esquerda como à direita.

Catarina Martins acredita que o secretário-geral socialista deixa assim os portugueses sem entenderem que rumo quer para o país, depois de já ter abandonado o pedido de maioria absoluta por ter compreendido que "não é possível". A coordenadora do Bloco também nota outra mudança no discurso de Costa, que hoje "já diz que vai negociar um Orçamento".

Ainda assim, demarca-se, deixando claro, nesta entrevista à TSF, que o Bloco não tem interesse em conversar com a direita: "O Bloco de Esquerda entrará na conversa se houver conversas à esquerda, com um projeto de esquerda."

Catarina Martins, que já tinha revelado que espera falar com Costa no dia 31 de janeiro, lembrou o que a afasta do PSD. "Rui Rio eu sei que fala muito pouco do seu programa, prefere falar mais do seu gato, mas, na verdade, no seu programa tem entregar, ir entregando, as pensões às seguradoras, que é um sistema, aliás, que em tantos países do mundo com crise financeira deixou os pensionistas sem nenhuma pensão", começa por dizer, atirando também que, de forma velada, o programa social-democrata conduz à "privatização do Serviço Nacional de Saúde". Quando é preciso, "os privados não estão lá, fecham a porta", conclui.

E se o bloco central já tem sido referido como solução possível, a líder do BE aproveita para acusar Rio de ser "a voz dos grandes hospitais privados e dos grandes interesses privados na saúde", preterindo as conversações que vão da direita à esquerda para agradar a tudo e a todos.

"Precisamos de um projeto diferente, de salvaguarda do SNS. Isso são escolhas, a política são escolhas. Não é possível fazer de conta que agradamos a toda a gente a todo o momento." Catarina Martins sustenta mesmo que "essas são escolhas que só é possível fazer à esquerda".

PCP interessado em acordo de "papel passado"

Apesar de lamentar o facto de o Governo não demonstrar querer "olhar para os problemas do país", Catarina Martins ressalva que "é muito importante ter a porta aberta para entendimentos", no sentido de abreviar o caminho dos "salários e pensões muito comprimidos". Com o "SNS numa situação muito difícil", torna-se ainda mais premente "construir soluções", argumenta a coordenadora do BE, que critica o PS por ter aprovado muitas propostas com a direita e por ter feito "uma série de anúncios que nunca se concretizavam".

Catarina Martins recua ao momento da celebração do acordo, em 2015, em que participaram o BE, a CDU e o PS, e lembra que, entre 2015 e 2019, o acordo "foi sendo cumprido". Em 2019, o Bloco pediu ao PS um "acordo claro para os problemas do país", mas nem o PS nem o PCP pareceram "muito interessado", ao que se sucedeu uma série de "promessas não cumpridas".

No entanto, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades dentro do PCP, saúda a também deputada. "Tenho ouvido o PCP dizer agora que tem vontade que haja acordo, e ainda bem. O Partido Socialista tem tido outra postura. O que eu acho que vai realmente determinar são os votos, e, se houver força à esquerda, se o Bloco de Esquerda tiver força, isso é um sinal claro ao PS e constituição de maioria."

O retrato do país numa folha de jornal

Ao ler a notícia do JN, sobre haver "cada vez mais gente a viver em parques de caravanas", Catarina Martins constata que afinal às vezes a dor da gente vem nos jornais, ao contrário do que enunciava o verso de Chico Buarque. A líder do BE afirma que os parques de campismo são nos Estados Unidos "os símbolos da enorme desigualdade" e recua dois anos para reavivar a notícia dos "professores a viver em parques de campismo no Algarve".

É um argumento forte que espelha a "economia em que os salários são mais pequenos do que as rendas", analisa a coordenadora do Bloco, que aponta como a solução de habitação em Portugal demonstra falta de política pública.

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