PSD está unido. Vitória "inequívoca" e "clarificadora" deveu-se "a uma única pessoa: Rui Rio"

Em entrevista na Manhã TSF, com Fernando Alves, Salvador Malheiro, um dos nomes fortes do núcleo duro da direção de Rui Rio, respondeu às críticas de António Costa sobre a desunião do partido e às do líder do Chega, que questiona se o PSD é um partido de direita.

Salvador Malheiro, um dos dirigentes social-democratas mais próximos de Rio, exaltou a vitória do presidente do partido, falando de um resultado "extremamente clarificador" que se deveu ao percurso "inequívoco" do antigo presidente da Câmara Municipal do Porto. Em entrevista conduzida por Fernando Alves, na Manhã TSF, o autarca respondeu à explicação que Luís Marques Mendes ofereceu, no domingo, na SIC, de que a vitória de Rio se justificaria em grande medida pela proximidade das eleições legislativas, vendo os militantes em Rui Rio uma condição privilegiada para enfrentar António Costa no fim de janeiro. "Não tenho a menor dúvida de que a vitória se deveu a uma única pessoa: Rui Rio", rebateu Salvador Malheiro.

Para o presidente da Câmara de Ovar, esta foi "uma grande vitória dos militantes de base do PSD", e "foi Rui Rio o grande responsável por esta vitória". Reconhecendo o mérito de Rio pelo "resultado inequívoco contra tudo e contra todos", o autarca também adianta que foi alguns dos que, no núcleo social-democrata, compreendeu que os ventos não eram tão favoráveis a Paulo Rangel como à primeira vista poderia parecer. "Sempre percebemos que o universo eleitoral era muito maior do que o Conselho Nacional ou concelhias locais. Este resultado veio resultar que no PSD todos somos iguais, somos barões. Este é um momento de enorme felicidade para a social-democracia."

António Costa, ao contar aos jornalistas que já tinha felicitado Rui Rio, lembrou que este vai ter pela frente a difícil tarefa de unir um partido que ficou dividido praticamente a meio, mas Salvador Malheiro diz tratar-se de uma "opinião de quem não conhece o partido e as suas dinâmicas". O apoiante de Rui Rio garante que há um cronograma pensado para a realização de listas e que este trabalho será feito numa interação entre a direção nacional e as distritais. Referindo-se a uma "atitude de congregação máxima", Salvador Malheiro assegura que o presidente social-democrata conta com todos para estas legislativas. "Este é o momento em que, estando clarificado quem é o líder, essa união acontece de forma muito, muito natural."

Para a constituição das listas, o autarca social-democrata antecipa vários critérios. "Naturalmente fizemos sair, por parte da direção nacional, há pouco mais de uma semana para as nossas concelhias e distritais critérios para o cargo de deputado." Nesta lista de condições, o autarca não tem dúvidas de que o presidente coloque na primeira linha de prioridade os mais competentes e que reúnam o reconhecimento por parte parte da sociedade civil. "A lealdade e a solidariedade com a direção nacional" também contam, reconhece o social-democrata.

Destes fatores, resultam as listas para a AR, onde é possível, assevera Malheiro, incluir pessoas que estiveram contra Rui Rio, mas esta ainda é uma "fase muito embrionária", já que se espera que ocorra agora "um momento de diálogo". Salvador Malheiro afirma que o partido sai destas diretas com uma grande união e congregação de esforços.

Questionado por Fernando Alves sobre se o PSD vai defender um Governo com menos Ministérios, como propôs Paulo Rangel, Salvador Malheiro remete a resposta para Rio: "Esse é um assunto que deixo para o meu presidente. Estará na cabeça dele e não passa para mais ninguém, no devido momento dará a resposta." No entanto, o autarca de Ovar também reconhece que "este Governo teve um dos maiores números de governantes" e que Rui Rio contestou-o, à época.

Também respondendo ao líder do Chega, que questiona se o PSD é ou não um partido de direita, Salvador Malheiro diz que a insinuação "nem merece qualquer tipo de comentário", e que a noção de Rui Rio é clara: "É por demais evidente a estratégia do líder de colocar o partido ao centro, não colocando linhas vermelhas." O apoiante de Rui Rio também assegura que o "problema do Chega" está clarificado, já que, no passado, Rui Rio tinha admitido a possibilidade de entendimentos caso o partido da direita radical se moderasse. Tal não aconteceu, descreve Malheiro, que ainda acrescenta que agora o Chega até exige fazer parte do Governo, o que está fora de questão para o PSD.

Nestas legislativas, porém, o maior adversário dos sociais-democratas é o Partido Socialista. Quanto a isso o autarca de Ovar não tem dúvidas, e reduz o dilema eleitoral a duas hipóteses: "Os portugueses têm de fazer uma escolha entre ter Rui Rio ou António Costa como primeiro-ministro." O apoiante de Rio vê neste sufrágio de 30 de janeiro uma "grande oportunidade" para o presidente do PSD, que antecipa que vencerá estas eleições.

Salvador Malheiro sublinha que para Rui Rio "em primeiro lugar está a estabilidade e governabilidade do país", mas salienta que há muito trabalho a ser feito nos próximos dias para desenvolver a campanha do líder do partido. "Os portugueses estão fartos das campanhas tradicionais", sustenta.

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