Demonstration "For Peace, Against Invasion" organised by the Socialist Youth (JS), Social Democratic
Ucrânia sob ataque russo

Um país político (quase) unido contra a guerra, ao som de Salvador Sobral

Tópicos chave

"Sim à paz, não à guerra" foi um pedido em uníssono dos cerca de quatro mil manifestantes que se juntaram junto à embaixada da Rússia em Portugal, em Lisboa, e apelaram ao "Putin fascista e assassino" que ordene a retirada das tropas da Ucrânia. A manifestação convocada pela Juventude Socialista (JS), Juventude Social-Democrata (JSD), Juventude Popular, mas também pela Iniciativa Liberal, PAN e Livre, contou ainda com o apoio do Bloco de Esquerda (BE), e teve Salvador Sobral a cantar em ucraniano "pela paz".

De todos os partidos que fazem parte da Assembleia da República, só o PCP e o Chega não se juntaram aos quatro mil manifestantes, embora o partido de André Ventura tenha convocado uma manifestação para a mesma hora, mas junto à embaixada da Ucrânia.

A meio da manifestação, Salvador Sobral juntou-se aos cânticos, e lembrou que "conheceu a Ucrânia como um país livre", e não sabe o que "possa fazer mais, a não ser cantar". O único vencedor português do festival da Eurovisão, precisamente em Kiev, cantou em ucraniano.

A segurar um cartaz "pela paz, contra a invasão", estavam os diversos representantes dos partidos políticos, lado a lado, embora com ideologias diferentes. Em declarações à TSF, o secretário-geral da JS, Miguel Costa Matos, assumiu que "é importantíssimo que todos estejamos juntos".

"Temos de fazer chegar, a todos os ucranianos, a nossa palavra de solidariedade. E ao Kremlin, as nossas palavras de repúdio. A seguir, temos de nos juntar numa grande ação humanitária: os ucranianos vão precisar de nós", alertou.

Também Alexandre Poço, presidente da JSD, fala na "união de todos os que condenam a guerra e lutam pela paz", não só os líderes partidários, "mas também os portugueses e ucranianos que querem passar uma mensagem de apoio às sanções".

Apesar de Rui Rio já ter admitido que a União Europeia "deve ir mais longe" nas sanções, apelou também a cautelas pelas "contra medidas ou o antídoto" russo. Ainda assim, o líder da juventude do PSD defende que "todos os tipos de sanções devem ser aplicados, e os líderes europeus têm de falar a uma só voz" para um "cerco económico à Rússia".

BE diz que "Europa tem sido lenta" nas sanções

Inês Sousa Real, que foi um dos rostos políticos que se juntou ao início da manifestação, quer Vladimir Putin "no tribunal penal internacional para ser julgado pelos crimes de guerra contra a paz internacional". A líder do PAN pediu à "comunidade internacional que se mobilize para o restabelecimento da paz, e mostrou-se de "braços abertos" para receber refugiados.

"Este episódio só veio reforçar a importância de Portugal não fornecer dados aos russos, como aconteceu com a câmara de Lisboa. É fundamental que saibamos acolher o povo ucraniano no nosso país, já existem várias plataformas a disponibilizar casas de forma solidária. Estamos todos de braços abertos para que venham para Portugal", sublinhou.

Embora o BE não tenha participado na organização da manifestação, o partido associou-se à iniciativa, com Catarina Martins a lembrar que "é importante que por todo o mundo os povos se levantem" contra a guerra "e Portugal tem de fazer a sua parte".

A líder bloquista pede mais sanções para a economia russa, embora admita que "a Europa tem sido lenta", com os oligarcas "com todo o tempo do mundo para colocar o dinheiro e os bens longe das sanções".

"Temos muitas expectativas em todas as conversas das próximas horas", disse.

Dois manifestantes russos juntaram-se contra o próprio país

Entre os manifestantes estiveram dois cidadãos russos, que não se quiseram identificar, mas com cartazes onde afirmavam que "a Rússia está unida contra a guerra", juntando-se aos milhares de manifestantes em Moscovo que pedem a Putin para travar a invasão da Ucrânia.

Também aos microfones da TSF, a ucraniana Irina explicou que tem acompanhado os ataques russos "com muita dor", mas ao mesmo tempo "muito orgulho pelos soldados que estão a lutar pelo país". Sobre o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, Irina considera que "é o melhor que alguma vez tivemos".

Com uma janela de oportunidade para negociar a paz na fronteira com a Bielorrússia, a ucraniana mostra-se reticente, já que Putin "é imprevisível e manipulador".

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de