Adolescentes portugueses entre os que menos gostam da escola e de exercício físico

Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) coloca Portugal entre os países com níveis mais fracos de gosto pela escola e por exercício físico. Alimentação saudável está acima da média europeia e consumo de canábis diminuiu.

São três "problemas crónicos" e "resultados maus" que colocam Portugal "nos últimos lugares" entre os 45 países analisados a cada quatro anos pelo estudo HBSC , feito pela OMS sobre os comportamentos e a saúde dos adolescentes em idade escolar nos seus contextos de vida.

Em Portugal, "é fraca a prática da atividade física", "é fraco o gosto pela escola" e "é elevada a pressão com os trabalhos da escola", refere o relatório português. Problemas que persistem desde 1998 e que exigem "ação urgente na escola, na comunidade e na família".

O estudo aponta ainda outros desafios a resolver, como por exemplo a questão do consumo de álcool, que "apresenta uma tendência de subida", mas com uma descida dos casos de embriaguez.

"O ciberbullying é inferior à média europeia", mas "tem tendência a subir dos 11 para os 13 anos e descer dos 13 para os 15 anos".

Outro aspeto está relacionado com a violência. "As lutas diminuíram nos mais velhos e nas raparigas, sendo menos frequentes face à média europeia". Contudo, as brigas entre adolescentes "aumentaram nos mais novos, sendo nesta idade mais frequentes do que na média europeia".

Igualmente, as lesões e os acidentes têm vindo a aumentar sobretudo nas raparigas de 13 anos e nos rapazes mais novos.

A OMS regista também um aumento da tristeza, nervosismo, irritação, dificuldades em adormecer e dores de costas entre os adolescentes portugueses, "mas mesmo assim inferiores à média europeia".

Como aspetos positivos, o estudo revela uma descida do consumo de canábis e uma melhoria do comportamento alimentar. Mas apesar é preciso "associar a alimentação na escola a uma alimentação com apresentação e sabor aceitáveis".

A obesidade e o excesso de peso na adolescência estão estabilizados face aos resultados do estudo anterior, o mesmo acontecendo com a "qualidade da comunicação com o pai e a mãe".

O Estudo HBSC é realizado de quatro em quatro anos em 45 países. Estes resultados dizem respeito a 2018 e às respostas dadas por quase 6 mil alunos portugueses com 11, 13 e 15 anos de idade.

Ouvida pela TSF, a psicóloga Tânia Gaspar, uma das investigadoras deste estudo, considera que é necessário tornar a escola um espaço mais amigo dos estudantes.

E neste capítulo, as alterações impostas pela pandemia ao setor da educação podem contribuir para uma mudança do cenário.

Também a antiga secretária de Estado da educação e antiga deputada Ana Benavente, ouvida pela TSF, diz que a escola está "presa" ao passado, e o que explica muitos destes dados.

Por outro lado, os jovens estão desejosos de voltar às aulas presenciais.

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