Mulher afegã usa burca após tomada dos taliban
Afeganistão

Apartheid de género no Afeganistão. "Elas vão enfrentar a batalha sozinhas?"

Heather Barr, especialista em direitos das mulheres da Human Rights Watch, considera que a sessão de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU e a reunião urgente do G7, anunciadas para esta terça-feira, são uma oportunidade importante para discutir a proteção de mulheres afegãs.

A Human Rights Watch (HRW) tem recebido uma enchente de pedidos de ajuda de pessoas que querem sair do Afeganistão. Heather Barr, codiretora da divisão de direitos das mulheres da organização, não tem mãos a medir.

Uma das grandes preocupações são as ativistas pelos direitos das mulheres. "Elas estão particularmente assustadas, tal como as mulheres que tiveram posições de destaque no governo, agentes da polícia, soldados."

Em declarações à TSF, a especialista em direitos das mulheres considera que é preciso ajudar um país onde os Taliban impõem uma espécie de apartheid de género. "Eu acho que apartheid é a palavra certa para descrever um tipo de sistema em que a tua humanidade é negada", defende.

Heather Barr considera que a forma como os taliban tratam as mulheres é sub-humana. "As políticas deles são construídas a partir de uma visão em que as mulheres não são totalmente humanas."

Ainda assim, há esperança que quem fique consiga impor direitos fundamentais e os protestos com participação de mulheres na semana passada são sinais de resistência. "Estes protestos são incrivelmente corajosos e acho que são um sinal de que as mulheres não vão aceitar isto sem mais nem menos", afirma.

Heather Barr considera que "não é tolerável" que as mulheres afegãs recuem até 2001 mas a especialista pergunta: "Elas vão enfrentar esta batalha sozinha ou comunidade internacional vai estar ao lado delas?"

A codiretora da divisão de direitos das mulheres da HRW defende que a comunidade internacional deve agir de imediato para que os direitos das mulheres no Afeganistão sejam salvaguardados.

Heather Barr lembra que "vimos pouca vontade por parte da comunidade internacional, incluindo dos países que estiveram tão envolvidos com Afeganistão nos últimos 20 anos, muito menos vontade do que eu esperava para apoiarem estas mulheres mas há oportunidades".

A especialista considera que a sessão de emergência do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unida e reunião urgente do G7, agendadas para esta terça-feira, são oportunidades importantes para discutir o tema. "O que é preciso agora é um papel mais amplo para a ONU e pressionar os taliban para aceitarem isso."

Esta especialista em direitos das mulheres, que já viveu e trabalhou no Afeganistão, garante que cada cidadão tem também um papel fundamental, que passa por pressionar os governos para não esquecerem o Afeganistão e pedir que abram as portas aos refugiados do país.

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