As mulheres já são ministras, deputadas e autarcas. Mas para quando uma presidente?

O Botequim desta semana senta à mesa a deputada Inês Sousa Real e a socióloga Ana Lúcia Teixeira para discutirem os desafios e barreiras que as mulheres enfrentam na política.

A Assembleia da República tem atualmente a maior representação feminina de sempre. Os votos das eleições legislativas do ano passado elegeram 89 mulheres, um valor que corresponde a 38% dos 230 assentos da assembleia. Elegeram também 141 homens, ou seja, 62%.

Estas contas entretanto mudaram com algumas mexidas do governo, com o PS a integrar nas listas de candidatos, deputados que depois passaram para o executivo.

De qualquer forma, a presença das mulheres na assembleia é uma tendência que tem vindo a aumentar, já que nas eleições de 2015, tinham sido eleitas 75 deputadas. Em 1976 eram 15.

Este aumento de 14 mulheres na Assembleia é um efeito direto da lei da paridade que entrou em vigor no ano passado e que aumenta de 33% para 40% a representação mínima de cada um dos sexos.

A lei da paridade já fez um longo caminho. Depois de uma tentativa falhada de se introduzir as quotas, em 1998/1999, foi aprovada em 2006, acabando por ser posta em prática em 2009. Mais de dez anos depois, as mulheres estão por todo o lado na política, nos partidos, fazem parte da vida política portuguesa.

Mas será que este aumento levou a mudanças nas relações de género e de poder? Quais são as consequências dessa representação de género mais equitativa? Elas fazem parte das lógicas de poder, têm acesso ao campo político facilmente ou encontram bloqueios nesse percurso?

Apesar das mulheres estarem a quebrar muitos tetos de vidro na política, ainda há vozes que não são ouvidas ou contribuições que não são tidas em conta. A instituições de poder político ainda são muito hierarquizadas, ainda há uma resistência à mudança dos papéis tradicionais de género associados a mulheres e a homens. Por exemplo, em muitos países, as mulheres ainda são vistas como incapazes de assumir responsabilidades em áreas normalmente associadas aos homens: finanças, negócios estrangeiros, defesa, economia, infraestruturas.

O Botequim desta semana conta com duas convidadas que vão ajudar a entender melhor raiz da desigualdade entre homens e mulheres na política:

Ana Lúcia Teixeira, doutorada em Sociologia pela Universidade Nova de Lisboa, com trabalho tem feito na questão do género e da política, com destaque para a tese de doutoramento sobre as desigualdades de género nos cargos políticos em Portugal.

Inês de Sousa Real, jurista, líder do grupo parlamentar do PAN. É uma das 89 mulheres eleitas para a Assembleia da República nas eleições legislativas de 2019.

Botequim, da autoria da jornalista Sara de Melo Rocha, é um programa feito por mulheres, sobre mulheres. Aborda vários assuntos sob a perspetiva delas. É um espaço de diálogo e de escuta, para discutir desafios relacionados com a igualdade de género, através de entrevistas, conversas e histórias de mulheres que marcam a diferença. Cada programa vai abordar assuntos relacionados com política, educação, ciência, direitos humanos e o papel da mulher em cada um deles.

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