Autoridades notam "crescente simpatia" por correntes de extrema-direita

Pandemia condicionou extremismos políticos, mas plataformas online deram ajuda a espalhar propaganda e desinformação. Autoridades nacionais notam "crescente simpatia" de portugueses por "correntes aceleracionistas (terroristas) de extrema-direita" [sic], mas a extrema-esquerda também não fica fora do radar.

Fora da internet, a extrema-direita teve uma "fraca capacidade de mobilização", mas o mesmo não se pode dizer dos ambientes virtuais onde as autoridades portuguesas registaram, durante o ano passado, uma "crescente simpatia" de utilizadores portugueses "por correntes aceleracionistas (terroristas)" [sic].

De acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), "a pandemia condicionou" as atividades tradicionais dos extremos políticos, mas fez com que existisse uma migração para a internet de ações, por exemplo, de doutrinação.

Lê-se no documento que, independentemente das limitações, "a extrema-direita manteve a estratégia de exploração da conjuntura pandémica online, tendo disseminado propaganda, desinformação e teorias da conspiração e aproximando-se do universo dos movimentos negacionistas, com o intuito de empolar uma narrativa antissistema na sociedade civil".

E é também aqui que entra a corrente aceleracionista, uma doutrina que, de acordo com o dicionário online da Porto Editora, "defende a necessidade de expandir e intensificar o modo de funcionamento capitalista para alcançar uma transformação social radical e profunda".

"Continuou a registar-se, em diferentes plataformas e redes sociais, uma crescente simpatia de utilizadores portugueses pelas correntes aceleracionistas (terroristas) de extrema-direita", sustentam as autoridades nacionais no relatório, sendo delas o termo "terroristas" entre parêntesis.

Ainda no caso da desinformação, o documento sinaliza que "os movimentos negacionistas da pandemia e outros que rejeitam as medidas implementadas para a combater - independentemente da maior ou menor narrativa da extrema-direita - radicalizaram o seu discurso e ação, alargaram o escopo da sua luta, com base em teorias da conspiração e, procuraram parceiros internacionais, passando de movimentos sociais de protesto a movimentos antissistema".

E à esquerda?

Se a extrema-direita atalhou caminho em 2021, também a extrema-esquerda não ficou parada. Nota o RASI que "continuou a destacar-se o envolvimento de militantes em lutas que não são exclusivas dos extremistas, como as lutas antifascista e ambientalista, verificando-se, em casos pontuais, tentativas de radicalização das mesmas".

Focando especificamente no caso do anarquismo, as autoridades destacam que "voltaram a registar-se momentos de doutrinação e contactos internacionais reveladores do alinhamento ideológico e alguns militantes com a corrente do anarquismo insurrecional". No caso, a "expressão mais violenta" do anarquismo.

Ainda assim, tanto à esquerda como à direita, as participações de cidadãos em atividades dos extremos não são quantificadas, apenas são realçadas pelo documento publicado esta quarta-feira pelo governo.

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