Como é estudar na "escola do futuro"? A Escola de Alcanena dá umas pistas

A TSF visitou esta manhã aquela que é considerada a melhor escola da Europa para aprender ciências.

Mesas e paredes interativas, uma zona de produção com um ecrã gigante e um espaço zen. Esta podia ser a descrição de uma empresa tecnológica moderna, mas não é. Trata-se da "sala do futuro" da Escola de Alcanena, que a TSF visitou esta manhã, um dia depois de este estabelecimento de ensino ter recebido o selo de qualidade do STEM School Proeficient, atribuído pela União Europeia.

Quem vê o edifício de fora, com uma construção antiga e um parque escolar que não salta à vista, não imagina que esta é considerada a melhor escola da Europa para ensinar ciências. Entrar na Escola de Alcanena é como fazer uma viagem ao futuro do ensino.

Há impressoras a três dimensões, uma mesa e paredes interativas, uma parede verde (que permite utilizar a técnica chroma key) parecida com as utilizadas nos estúdios de televisão para gravações, um ecrã gigante com pontos de multi-resposta e um espaço zen com uma coluna de água com bolhinhas coloridas, para os alunos, sobretudo aqueles que têm maiores dificuldades em concentrarem-se, poderem relaxar.

José Fradique, coordenador do projeto, explica à TSF que a sala do futuro "é um espaço flexível que permite aliar a tecnologia a novas metodologias mais ativas que os professores podem fazer com os seus alunos".

Quando o investigador não vai à escola, a escola vai ao investigador. Na sala do futuro são realizadas videoconferências com cientistas, para os alunos aprenderem as matérias com quem faz delas profissão: "Na impossibilidade de ir a todas os centros de investigação, agilizamos com videoconferências".

Mas as valências deste espaço não terminam aqui. "Fazemos filmagens para projetos que estamos a desenvolver, fazemos pitch (breves apresentações de cerca de 3/5 minutos) sobre os trabalhos, o que estimula a capacidade de síntese e de análise dos alunos", continua José Fradique.

David Rupio está no 12.º ano e defende que o que distingue esta escola daquelas por onde passou anteriormente é "mais equipamento e mais liberdade, o que incentiva mais os alunos a aprender". O jovem sublinha que, com as ferramentas oferecidas, terá mais clareza no momento de decidir o que vai fazer profissionalmente "no futuro".

Ao contrário da maioria das escolas, em Alcanena a campainha soa apenas uma vez por dia, dando o toque de entrada. Tudo isto para estimular a autonomia dos alunos, o que leva a que a diretora da escola Ana Cláudio Cohen tenha o trabalho facilitado: "Eu costumo dizer que neste âmbito o meu trabalho é fácil: envolver, motivar e criar espaços."

O trabalho desenvolvido na escola é também diferente do convencional. Além de aprenderem a teoria, os estudantes têm a oportunidade de participar em projetos ligados a temas como literacia científica, alimentação sustentável, criação de filtros para tratamento de águas residuais, combate aos ácaros nas colmeias, energia eólica, criação de hortas sem água e estudos sobre os musgos das grutas de Mira de Aire.

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