Devolução dos manuais escolares está suspensa. Diretores indignados com duplicação tarefas

Os pais que já devolveram os manuais escolares estão a ser contactados pelas escolas para recolherem os livros, depois de o Parlamento ter aprovado a suspensão da devolução do manuais.

As escolas já estão a receber ordens, por parte do Ministério da Educação, para suspenderem o processo de devolução dos manuais escolares, depois de o Parlamento ter aprovado, durante a votação do Orçamento Suplementar, na semana passada, uma proposta que impõe a suspensão do procedimento, iniciado a 26 de junho.

A Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares está a pedir às escolas que procedam à "suspensão do circuito de reutilização dos manuais escolares", acrescentando que os agrupamentos que "ainda não recolheram manuais já não o devem fazer, e aqueles que já iniciaram a recolha deverão planear a sua devolução, até data anterior ao início das atividades letivas de 2020/2021".

A informação enviada aos diretores de escolas acrescenta que os livros que já foram devolvidos podem permanecer nos estabelecimentos escolares até ao início do próximo ano letivo, caso as famílias assim o entendam, para depois serem utilizados pelos alunos nas semanas de recuperação.

Todo o processo está a indignar grande parte da comunidade escolar. Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, ​​​​​​​garante que os agrupamentos vão cumprir as diretrizes da Assembleia da República, mas lamenta que tenham sido apanhados no meio de uma questão política.

Em declarações à TSF, Filinto Lima afirma que "aquilo que se pede aos nossos políticos, independentemente do partido político, é que decidam as coisas num timing que não seja o timing político, mas que seja o timing da educação".

"Acho que ficamos todos mal na fotografia. Para não falar nos 100 milhões de euros que o ministério vai ter de gastar. O que mexeu mais connosco, o que nos indignou foi a decisão ser tomada em pleno processo que estava a decorrer muito bem nas escolas", acrescentou.

Filinto Lima lamenta a duplicação de tarefas, numa altura em que os agrupamentos escolares estão "assoberbados de trabalho" devido ao início dos exames nacionais e à preparação do ano letivo.

O representante dos diretores de escolas explica que vão convocar os encarregados de educação que já tinham feito a devolução dos manuais, seguindo um cronograma com indicação de dia e hora para o levantamento dos livros.

Os pais tinham já manifestado apreensão em relação à obrigatoriedade de devolver os manuais escolares e aplaudiram a decisão do parlamento.

De qualquer forma, Rui Martins, presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação, lamenta os constrangimentos criados.

"Tudo isto podia ter sido evitado, houve muitas escolas que suspenderam de imediato, a partir do momento em que a proposta do partido que apresentou na especialidade foi aprovada. Foi uma semana que se criou constrangimento que podia ter sido evitado. Só lamentamos que as coisas se tenham passado desta forma", afirmou.

Contactado pela TSF, o Ministério da Educação não quis acrescentar mais comentários.

O ministro da educação, Tiago Brandão Rodrigues, tinha já referido que toda a operação vai implicar agora uma dotação de cerca de 150 milhões de euros que não estava previstos no orçamento suplementar.

O processo de recolha de manuais escolares começou a 26 de junho e devia ficar concluído a 14 de julho.

Recomendadas

Patrocinado

Apoio de