Do "tudo ok" ao "não resolveu problema". Prolongar lay-off até dezembro divide opiniões

Sindicalistas têm opiniões diferentes sobre o aumento dos meses possíveis para o lay-off e Jerónimo de Sousa pede que regime não se torne num "ato banal".

Depois de Ana Mendes Godinho, ministra do Trabalho, ter adiando que o novo lay-off simplificado vai ser integrado no Plano de Estabilização Económico e Social, para vigorar até ao final do ano, as opiniões entre sindicalistas dividem-se.

A UGT não se opõe ao prolongamento do lay-off, mas o secretário-geral, Carlos Silva, explica que é preciso perceber "quem pede, em que condições pede e se tem mesmo necessidade", sendo importante fazer-se uma "análise à capacidade" das empresas.

Porém, realça, "essa possibilidade não é vista de forma negativa" pela UGT, que está disponível para discutir o tema com o Governo e não vê "inconveniente" em estender o regime até ao final do ano.

Por outro lado, Carlos Silva sugere que num novo lay-off simplificado, seja ponderado um maior apoio do Governo às empresas. "É importante perceber se há disponibilidade por parte do Governo de alterar para mais o valor pago aos trabalhadores", aponta o sindicalista à TSF.

"Se para manter o emprego em Portugal, o lay-off for considerado uma das medidas como uma arma defensiva... a UGT dará o seu contributo e não terá qualquer resistência a apoiar o Governo", acrescenta.

Ouvido pela TSF, o presidente da Confederação do Comércio e Serviços, João Vieira Lopes, também não se opõe ao prolongamento do lay-off até dezembro: "Se pretenderem avançar já até ao fim do ano, da nossa parte tudo ok."

Isabel Camarinha tem uma posição diferente e realça que "o lay-off que está em vigor não resolveu o problema, não trouxe soluções para os problemas dos trabalhadores e do país, o que trouxe foi um corte enorme nos salários dos trabalhadores e permitiu que grandes empresas se aproveitassem desta medida".

A secretária-geral da CGTP aponta que "mais de metade das grandes empresas do nosso país recorreram ao lay-off".

Em entrevista ao Diário de Notícias, Jerónimo de Sousa recusou compreender a necessidade de prolongar o regime em causa. "Tenho uma grande dificuldade a compreender que 560 empresas que aderiram ao lay-off tenham lucros fabulosos", começou por dizer, referindo que "aparentemente é aceitável, esquecendo que muitos dos que estão em lay-off" e que "isto possa ser um processo que dure meses sem fim".

O líder comunista diz que uma "situação excecional não se pode transformar em ato banal" e deixa o aviso: o "destino do Governo não determinará o sentido de voto do PCP" num eventual Orçamento do Estado restritivo e garante que o PCP "não acompanhará o PS" se a resposta de António Costa à crise pós-pandemia passar por um caminho de austeridade.

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