"É urgente a reabertura das escolas." Especialistas deixam alerta à DGS

Especialistas em pediatria defendem que ensino à distância tem efeitos severos nas crianças e alegam que estas não são as grandes propagadoras da Covid-19.

A Sociedade Portuguesa de Pediatria, o colégio de pediatria da Ordem dos Médicos e a Comissão Nacional da Saúde Materna, da Criança e do Adolescente alertam que é urgente reabrir as escolas e voltar ao ensino presencial.

Numa nota enviada à Direção-Geral da Saúde (DGS) e ao bastonário da Ordem dos Médicos, estes especialistas avisam que os direitos das crianças estão a ser prejudicados, com impacto na saúde e no futuro de todos.

As crianças mais pequenas são as que mais sofrem. Têm menor autonomia, têm de ficar junto aos pais, que muitas vezes, estão em teletrabalho. Uma situação que cria conflitos, causa ansiedade e stress aos pais e aumenta o risco de acidentes domésticos, alertam estes especialistas.

Na nota enviada à DGS, é referido como o ensino à distância impede as crianças de brincarem e conviverem com os colegas e as deixa mais expostas aos ecrãs.

O ensino à distância leva ainda à perda de rotinas e muda a perceção do tempo, com as tarefas diárias a desorganizarem-se.

Sem atividades ao ar livre e com uma alimentação nem sempre equilibrada, aumenta também o risco de obesidade e os distúrbios alimentares, com implicações sérias para a saúde das crianças, agora e no futuro.

Os problemas de ansiedade e depressão são outro dos efeitos deste confinamento nas crianças e jovens.

"Não esqueçamos a necessidade de socialização dos adolescentes, cuja saúde mental está em risco", sublinham os especialistas, que consideram que podem aumentar as desigualdades sociais e a delinquência.

Todos estes fatores, alegam os signatários desta nota dirigida à DGS, terão efeito na esperança de vida das crianças e na evolução da própria sociedade. Por isso, os pediatras defendem a reabertura das escolas, com o regresso ao ensino presencial.

Admitem que "a aproximação ao normal poderá ter de ser faseada, com avaliação contínua e adequada, mas tem de ser rápida e programada de forma consistente", com urgência para o ensino pré-escolar e o primeiro e segundo ciclos do ensino básico.

Os pediatras alegam que, desde o início da pandemia, "verificou-se que as crianças eram pouco afetadas [pelo coronavírus], apresentando em regra doença ligeira, com casos muito esporádicos de doença grave, e (...) contribuíam pouco para a disseminação da doença", insistindo que, até ao momento, não houve surtos significativos de Covid-19 nas escolas. Assim, consideram ser premente reabrir os estabelecimentos e ensino, a bem da saúde das crianças e da sociedade.

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