"Eu só fico em Portugal até que os russos saiam da minha terra." A convicção de um menino ucraniano

A escola Shevtchenko, em Faro, reúne todos os domingos as crianças ucranianas que aprendem a língua e culturas do seu país.

Mesmo que nas escolas que frequentam todos falem português, ali só se expressam em ucraniano.

Logo à chegada, Maxime, aluno de 13 anos, dá as boas vindas à rádio na sua língua, na escola Shevtchenko, em Faro. A escola que só funciona aos domingos de manhã e que tem o nome do poeta maior da Ucrânia. É ali, nas instalações da EB 2,3 Neves Júnior, que se reúnem as crianças ucranianas. A intenção é que não esqueçam a língua e culturas do seu país. "Temos língua, literatura e história ucranianas, mantemos as tradições e festas do calendário ucraniano, folclore, canções e contos populares", conta a diretora da escola. Natalia Borysenkovua foi professora na Ucrânia. Na última semana já recebeu três meninos refugiados. As crianças não conhecem os outros alunos, ficam tímidas a um canto. A professora pede que eles se apresentem a todos os alunos. Uma das meninas chegou de Kiev. Ouviu sirenes e bombardeamentos. Tem lágrimas nos olhos. Maxime, que assumiu o papel de tradutor, explica-nos o que querem dizer as palavras que a diretora lhe dirige para a apaziguar. "A menina está com medo e a diretora está a dizer para não terem medo, que nós podemos ajudar. E vamos vencer", diz a sorrir.

Natália tenta mostrar-se forte ao pé das crianças, mas assume que, por vezes, é difícil lidar com os sentimentos. Emociona-se com a convicção mostrada por um dos meninos. "Ele pediu a palavra para afirmar "eu não fico aqui muito tempo, eu só fico em Portugal até que os russos saiam da minha terra", relata emocionada. "Eu sei que temos de ser fortes e nós procuramos como professores literatura de psicologia para saber como lidar com as crianças refugiadas. Mas não é fácil, temos que ser fortes como adultos para transmitir esperança", adianta.

Para que as crianças não fiquem demasiado tristes e esqueçam a guerra que está a assolar o seu país, dizem-se poemas, canta-se o hino e canções da Ucrânia. A diretora explica que março é o mês do poeta ucraniano Shetvchenko e nesta altura do ano as crianças costumavam fazer uma festa para celebrar. Em tempo de guerra ninguém tem vontade de comemorar, mas mesmo assim as professoras tentam afastar a tristeza com um cântico tradicional.

Os mais pequeninos, com idades entre os 4 e 8 anos, vestidos com camisas bordadas, elas com coroas de flores sobre o cabelo, ensaiam a música. Com esperança de que, no futuro, quando chegarem dias mais alegres a possam apresentar em público.

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