Fim das medidas gerais? Pessoas devem "tomar decisões em função do seu risco"

Carmo Gomes assinala que a pandemia de Covid-19 parece estar controlada e, tendo em conta os dados da vacinação, Portugal tem razões para estar otimista. Mas há um alerta sobre os jovens.

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes defende que é necessário manter o uso de máscaras em recintos fechados e uma taxa elevada de vacinação em Portugal, apesar de a pandemia estar aparentemente controlada, mas alerta que mais do que medidas "gerais e mandatárias para todos", é preciso que cada pessoa tome "decisões em função do seu risco" de complicações.

"Depois da descida de setembro, tem-se mantido uma situação relativamente estável" e se a atividade da pandemia "por vezes parece que vai subir", no dia seguinte "há uma correção", assinala o especialista em declarações à TSF.

O Rt, indicador que estima o número de casos de infeção resultantes de cada pessoa portadora do vírus, "está na zona do 1 e a taxa de variação diária anda à volta de zero, o que quer dizer que não sobe nem desce". Esta quarta-feira foi de 1,02.

Com estes dados sobre a mesa, Carmo Gomes espera que Portugal consiga manter este nível de controlo da doença ao longo do outono e inverno, mas para isso é preciso "manter as medidas de proteção individual, assegurar que mantemos uma alta proteção pelas vacinas e que não baixamos a guarda no que diz respeito a máscaras, nomeadamente em recintos fechados", de que são exemplo as discotecas, espaços frequentados maioritariamente por jovens.

É precisamente na faixa dos 18 aos 24 anos, nota o epidemiologista, que se regista uma "incidência a subir", já que neste intervalo de idades estão pessoas que "vão para as universidades, convivem, fazem praxes e festas". No fundo, nota, são os grupos que "mais socializam e eventualmente estão em ambientes onde é permitido não ter máscara", dando origem a um aumento de casos.

Mas nessas, como noutras idades, é possível impedir que o número de casos de Covid aumente. Portugal tem uma cobertura vacinal "muito alta" e a epidemia está "aparentemente sob controlo", pelo que ganham peso as decisões individuais "em função do risco" que cada um corre em caso de infeção.

"Se eu tiver comorbilidades, for cardíaco, tiver doença renal, obesidade ou se for idoso, tenho de resguardar-me", explica Manuel Carmo Gomes, pelo que "é por aí que temos de ir". Assim, "mais do que regras gerais e mandatórias para todos", é preciso apelar à responsabilidade individual, já que o país "não está ainda em situação de precisar disso", e não há razões para abandonar o otimismo.

A taxa de incidência de infeções nos últimos 14 dias a nível nacional e o Rt subiram esta quarta-feira, fixando-se, respetivamente, nos 84,4 casos por 100 mil habitantes e em 1,02. Portugal regista mais 927 casos e três mortes associadas à Covid-19.

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