"Há doentes que precisam." Reservas de sangue A+ e O+ só chegam para seis dias

Presidente do instituto apela à dádiva e anuncia abertura ao domingo de centros de colheita para a recolha de dádiva.

É um motivo de preocupação para a presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação. Nas últimas semanas, as reservas estratégicas de sangue diminuíram.

As que existem no Instituto Português do Sangue e da Transplantação chegam para 6 dias, a juntar às que existem nos hospitais, as reservas chegam para 15 dias para o A+ e para 17 dias para o O+.

A diminuição das dádivas de sangue começou a notar-se mais a partir de meados de setembro. Até então, diz a presidente do IPST, o desequilibro não era significativo. Mas, a partir de 20 de setembro o desequilibro passou a ser evidente: as dádivas diminuíram, enquanto as cirurgias e a atividade assistencial não urgente nos hospitais se mantiveram e, "há doentes que precisam sempre, sempre, sempre de transfusões de sangue", lembra Maria Antónia Escoval. E, assim, chegámos ao dia de hoje, em que se verifica uma diminuição das reservas estratégicas em dois tipos de sangue: A+ e O+.

O que fazer para aumentar a dádiva de sangue?

Maria Antónia Escoval diz que é preciso mudar o paradigma e anuncia que os centros do instituto que existem em Lisboa, Porto e Coimbra e que estão abertos de segunda-feira a sábado das 8 às 19:30, vão passar a abrir ao domingo.

O instituto pretende também fazer apelos à dádiva através de SMS. Desde março, adianta a presidente do IPST já enviaram mais de 3 milhões de mensagens. Agora, pretendem fazê-lo de uma forma mais programada pedindo aos dadores habituais que façam a doação num determinado dia, para conseguir manter as medidas de distanciamento social. A presidente do IPST espera também contar com a colaboração das associações de dadores e, por exemplo, das forças armadas para diversificar os locais de colheitas.

Casos de Covid-19 a norte contribuíram para a diminuição da dádiva de sangue

A presidente do instituto português do sangue e da transplantação atribui a diminuição das dádivas, ao facto de, a partir de meados de setembro, ter aumentado os casos de Covid-19 a norte, região do pais onde existem muitos dadores. Mas, esta não é a única razão. As universidades e os institutos politécnicos são locais onde são feitas muitas colheitas de sangue, mas este ano com a pandemia tudo está diferente. O ensino misto, com aulas presenciais e à distância torna difícil encontrar os alunos nas faculdades. O teletrabalho afasta os dadores dos locais onde habitualmente eram feitas as colheitas. Além disso, as unidades móveis de colheita de sangue, nesta altura, também não podem ser utilizadas.

A Covid-19 e a doação de sangue

Até agora, diz a presidente do IPST, "não podemos dizer que não existe risco de transmissão. Dizemos que o risco de transmissão para os coronavírus é apenas teórico". Até agora, adianta "não existe registo de transmissão de coronavírus e nomeadamente de SARS-CoV-2 quer através da transfusão de sangue quer através da transplantação". Mas, porque se trata de um novo vírus, diz Maria Antónia Escoval foram adotadas medidas de precaução para dadores. Informações que estão disponíveis no site do Instituto Português do Sangue e da Transplantação.

Quem dá sangue em Portugal?

Há dois grandes grupos. Os jovens com idades entre os 18 e os 24 anos e o grupo com idades entre os 45 e os 65 anos.

Os jovens são muito solidários, diz a presidente do IPST. Inscrevem-se nas universidades, vão dar sangue. Mas depois dos 24 anos "têm dificuldade em manter a regularidade da dádiva. E, há muitas razões: ou porque emigram ou por razões profissionais ou familiares ficam menos disponíveis para a dádiva de sangue", explica Maria Antónia Escoval.

Durante anos, tradicionalmente os homens foram os dadores de sangue. Desde há três anos que passou a haver mais mulheres inscritas. Atualmente é 50-50. No entanto, adianta Maria Antónia Escoval são os homens que mais efetuam a dádiva . As mulheres têm algumas contingências, como o valor da hemoglobina que faz com que às vezes a colheita tenha se ser adiada.

Dádivas e dadores de sangue a diminuir desde 2010

Desde 2010 que tem vindo a diminuir quer as dádivas de sangue quer o número de dadores.

Maria Antónia Escoval diz que é uma tendência a nível europeu e está relacionada com uma mudança de comportamentos. Há uns anos, as pessoas encontravam-se nas sociedades recreativas para conviver e depois efetuavam uma dádiva. Agora, as pessoas estão juntas nas redes sociais. A pandemia agrava a situação e, por isso ,sublinha a presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação para que possamos enfrentar este outono e inverno é imprescindível inverter a tendência porque "só é possível tratar todos os doentes se a dádiva de sangue for regular.

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