Incidência da Covid-19 deve subir em Portugal e impacto na saúde é incerto

Tendência decrescente que vinha a ser registada no país foi invertida e há agora uma intensidade "muito elevada" da atividade epidémica.

A pandemia de Covid-19 registou uma inversão da tendência decrescente das últimas semanas, devendo verificar-se um aumento da incidência de infeções, sendo ainda incerto o impacto nos serviços de saúde, alerta a análise de risco divulgada esta sexta-feira.

"A análise dos diferentes indicadores revela uma atividade epidémica de SARS-CoV-2 de intensidade muito elevada, com inversão da tendência decrescente que vinha a observar-se nas últimas semanas, podendo esperar-se um aumento da incidência à semelhança do observado em alguns países europeus", refere o relatório das "linhas vermelhas".

Segundo esta avaliação de risco da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), a dimensão do impacto do crescimento da incidência nos serviços de saúde e na mortalidade "é ainda incerta", uma vez que está dependente do "nível de imunidade da população e da incidência nos grupos mais vulneráveis".

De acordo com o documento, o sistema de saúde apresenta capacidade de acomodar o aumento de doentes com Covid-19, mas deve ser mantida a vigilância da situação epidemiológica e a manutenção das medidas de proteção individual e a vacinação de reforço.

De acordo com a DGS, na quarta-feira estavam internados em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) 70 doentes, o que corresponde a 27% do limiar definido como crítico de 255 camas ocupadas, abaixo dos 35% registados na semana anterior.

Os hospitais da região Norte continuam a ser os que apresentam maior ocupação em cuidados intensivos, com 36% do nível de alerta de 75 camas, e o grupo etário com maior número de pessoas internados nestas unidades era o dos 60 aos 79 anos.

Quanto à mortalidade específica por Covid-19, está nos 33,3 óbitos em 14 dias por um milhão de habitantes, o que corresponde a uma diminuição de 20% relativamente ao último relatório (41,7), o que revela uma tendência decrescente do impacto da pandemia neste indicador, referem as "linhas vermelhas".

Apesar desta redução, o valor de 33,3 é ainda superior ao limiar de 20 óbitos em 14 dias por milhão de habitantes definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC), o "que se traduz num impacto elevado da epidemia na mortalidade", adianta o documento.

Na quarta-feira, a incidência cumulativa a 14 dias estava nos 1.449 casos por 100 mil habitantes em Portugal, indicando uma intensidade muito elevada, com tendência estável, enquanto o índice de transmissibilidade (Rt) era de 0,99 a nível nacional e de 0,98 para o continente.

"Observou-se um valor de Rt igual ou superior a 1 em quatro das cinco regiões do continente, o que indica uma inversão para tendência crescente da incidência de infeção por SARS-CoV-2", avança a análise de risco da pandemia.

O relatório refere ainda que a proporção de casos positivos nos testes realizados para SARS-CoV-2 registada entre 03 e 09 de março foi de 20,1%, superior aos 13,5% do último relatório e acima do limiar de 4%.

A frequência da linhagem BA.1 da variante Ómicron é agora de 20,6% e com tendência decrescente, enquanto a linhagem BA.2, considerada mais transmissível, é já "claramente dominante", sendo responsável por 79,4% das infeções.

A Covid-19 provocou pelo menos 6.011.769 mortos em todo o mundo desde o início da pandemia, segundo o mais recente balanço da agência France-Presse.

A doença é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China.

A variante Ómicron, que se dissemina e sofre mutações rapidamente, tornou-se dominante no mundo desde que foi detetada pela primeira vez, em novembro, na África do Sul.

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