Lista de espera para cirurgia de obesidade aumentou 61%

A Associação de Doentes Obesos e ex-Obesos de Portugal considera que números são o resultado da decisão tomada pelo Governo de que as primeiras consultas para a cirurgia de obesidade ficariam fechadas em todos os hospitais.

Em junho, havia 2176 doentes à espera de cirurgia de obesidade. A lista aumentou 61% no primeiro semestre de 2019, face ao mesmo período do ano passado. Os dados da Administração Central do Sistema de Saúde são revelados na edição desta quarta-feira do Jornal de Notícias.

Carlos Oliveira, presidente da Associação de Doentes Obesos e ex-Obesos de Portugal, não fica surpreendido com estes números. O responsável considera que são o resultado das decisões tomadas pelo Governo depois de uma denúncia da ADEXO, de que as primeiras consultas para a cirurgia de obesidade ficariam fechadas em todos os hospitais.

"Em fevereiro e março, a Entidade Reguladora de Saúde fez uma investigação na sequência de uma denúncia da associação, e constatou que as primeiras consultas estavam fechadas. Também a nova forma de pagamento em relação aos hospitais fez com que o processo para tratar obesos fosse mais atrativo para os hospitais. Os hospitais abriram as consultas, as pessoas que estavam à espera da primeira consulta registaram-se. Por isso, isto é a consequência do tempo em que houve zero no orçamento para tratamento de obesidade. Recordo que o ministro da Saúde Paulo Macedo orçamentou zero para o tratamento desta doença e isso fez com que muitos hospitais fechassem a primeira consulta. Estes números são o resultado da abertura da primeira consulta nos hospitais reconhecidos como centros de tratamento."

Em 2018, foram criados dois centros de responsabilidade integrada de obesidade, que funcionam no Hospital de São João, no Porto e no de Santa Maria da Feira. Carlos Oliveira sublinha que estas unidades ajudam, mas o processo continua a ser moroso.

"O doente tem que ser encaminhada pelo médico de família para um centro de tratamento de obesidade para a primeira consulta; depois, o processo pode demorar entre um a dois anos. Esta continua a ser uma das especialidades com maior tempo de espera."

De acordo com dados da Administração Central do Sistema de Saúde, revelados na edição desta quarta-feira do Jornal de Notícias, foram realizadas 1269 cirurgias de obesidade no primeiro semestre, e, em junho, estavam inscritos para cirurgia 2176 doentes.

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