"Sinto-me envergonhado em ser português. Devia ser feriado como foi no 25 de Abril"

Pedro Pardal Henriques diz que se vive uma "ditadura sob a capa de um país democrático".

O vice-presidente e porta-voz do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) Pedro Pardal Henriques criticou, esta quarta-feira, os serviços mínimos decretados pelo Governo para a greve dos motoristas, que se situam entre os 50% e os 100%.

"Sinto-me envergonhado em ser português. Devia ser feriado nacional como foi no 25 de Abril. No 25 de Abril celebram-se conquistas e hoje os senhores ministros acabaram de dizer que não vivemos numa democracia, vivemos numa ditadura do 'tudo posso' e os trabalhadores não têm qualquer direito", entendeu.

"A greve existe, mas só de nome e para retirar salário a estas pessoas", lamentou Pedro Pardal Henriques em declarações aos jornalistas. Questionado sobre se os motoristas vão cumprir os serviços mínimos, o sindicalista explicou que os trabalhadores vão "refletir sobre este atentado" e que é possível cumpri-los "desde que não se faça greve".

"Acima disto, só os senhores ministros terem decretado 150% de serviços mínimos. Agora compreendo porque é que a ANTRAM não cumpriu, até hoje, o que foi acordado com os motoristas", acusando o Governo de estar "do lado" da ANTRAM. "Devem sentir-se de luto todos os portugueses, todos os trabalhadores em Portugal. Aquilo que foi declarado hoje é um atentado à democracia no nosso país."

Pedro Pardal Henriques lamenta também o anúncio da declaração do estado de emergência energética "quando os sindicatos têm declarado sempre que estão disponíveis para cumprir os serviços mínimos". O sindicalista relembrou ainda as palavras do ministro do Ambiente e Transição Energética sobre a prontidão das forças de segurança para argumentar que essa preparação se destina a "impedir o direito à greve".

"Se vivêssemos num país onde a ditadura é clara, era mais simples de compreender. Agora, em Portugal, numa ditadura sob a capa de um país democrático, é triste", atira.

Sobre o timing do anúncio da greve, Pardal Henriques lembra que as negociações entre os motoristas e a ANTRAM foram interrompidas porque os patrões não quiseram "cumprir o que foi acordado" em maio, quando ocorreu a primeira greve dos motoristas. "O Governo mostrou que quem manda no país é o capital, é o poder económico, são as petrolíferas, as grandes logísticas. É a ANTRAM que manda neste país."

No abastecimento definido pelos serviços mínimos "estão compreendidas operações de transporte, carga e descarga normalmente asseguradas pelos motoristas", notou o ministro do Ambiente.

Face a estas declarações, o vice-presidente do SNMMP entende que o Governo "acabou de dizer que estas pessoas têm de fazer cargas e descargas sem receber, porque eles não recebem. Quem é que vai pagar? É o Governo São as empresas? Até hoje não pagam. O Governo está a decretar que estas pessoas vão trabalhar sem receber, é vergonhoso".

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