Portugal vai receber migrantes a bordo do Open Arms

Portugal irá colher até 10 migrantes, entre os mais de 140 que foram resgatados no Mediterrâneo, e que se encontravam em águas italianas.

O Ministério da Administração Interna (MAI) confirmou que Portugal vai receber até 10 migrantes que estavam a bordo do navio Open Arms, depois de terem sido resgatados no mar Mediterrâneo.

"Portugal manifestou disponibilidade para acolher até 10 pessoas das 147 resgatadas pelo navio humanitário Open Arms", afirma o MAI em comunicado.

A declaração do MAI surge depois de o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, ter já anunciado que Portugal era um dos países que aceitara receber parte dos migrantes.

"Portugal, Espanha, França, Alemanha e Luxemburgo são os países que manifestaram esta disponibilidade para receber o grupo de pessoas, num gesto de solidariedade humanitária e de desejo comum de fornecer soluções europeias para a questão da migração e das tragédias humanas que se verificam no Mediterrâneo", lê-se no comunidaco da tutela.

O comunicado do MAI refere ainda que Portugal tem-se disponibilizado para acolher vários migrantes nestas circunstâncias, evocando os casos dos navios "Lifeline, Aquarius I, Diciotti, Aquarius II, Sea Watch III, Alan Kurdi e outras pequenas embarcações", que, no total, levaram ao acolhimento por Portugal de "132 pessoas, durante 2018 e já este ano".

"Não obstante esta disponibilidade solidária sempre manifestada, o Governo português continua a defender uma solução europeia integrada, estável e permanente para responder ao desafio migratório", reitera o MAI.

O Open Arms, propriedade da organização não-governamental espanhola com o mesmo nome, está perto da ilha italiana de Lampedusa há duas semanas a aguardar autorização para desembarcar 147 pessoas resgatadas do Mediterrâneo.

Itália e Malta, os dois países mais próximos da localização do Open Arms, recusaram receber o navio, mas na quarta-feira a justiça italiana autorizou o navio a aportar em Lampedusa, suspendendo um decreto do ministro do Interior, Matteo Salvini, que proibia o Open Arms de entrar em águas italianas.

Salvini assinou esta madrugada um novo decreto para voltar a barrar o navio, mas a ministra da Defesa, Elisabetta Trenta, recusou assiná-lo, num sinal das crescentes divisões entre os parceiros de coligação em Itália, a Liga (extrema-direita) de Salvini e o Movimento 5 Estrelas (antissistema).

Além deste, há um outro navio, o Ocean Viking, operado pelas organizações Médicos Sem Fronteiras e SOS Mediterranée, que aguarda, com 356 migrantes a bordo, autorização para aportar.

Segundo a Organização Internacional das Migrações (OIM), entre 1 de janeiro e 4 de agosto de 2019 mais de 39.000 migrantes e refugiados chegaram à Europa através do Mar Mediterrâneo, cerca de 34% menos que em igual período de 2018.

Daquele total, o maior número de pessoas chegou à Grécia (18.947), seguindo-se a Espanha (13.568), Itália (3.950), Malta (1.583) e Chipre (1.241).

No mesmo período, 840 pessoas morreram durante a travessia, segundo a organização.

Notícia atualizada às 14h33

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