Migrantes salvos por navio português "precisavam desesperadamente de ajuda"

ONG que recebeu chamadas de quem estava no barco em perigo relata cenário descrito do outro lado do telefone.

A organização não-governamental (ONG) que recebeu as chamadas e alertas de imigrantes num barco a afundar no Mar Mediterrâneo não tem dúvidas de que existiu uma violação da lei internacional pelas autoridades de Malta.

Os migrantes acabaram por ser salvos por um navio de carga de bandeira portuguesa que recebeu ordens para ir para a Líbia devolver os migrantes a África.

O responsável da ONG Alarm Phone prefere não ser identificado pelo nome, mas explica à TSF o que ouviu quando atendeu a chamada dos migrantes, os quais estavam assustados.

"A situação a bordo era muito agitada. Diziam que a água já estava a entrar no barco e que já não se movia. Precisavam desesperadamente de ajuda", relata.

​​​​​​Em reação a ONG contactou as autoridades de Malta e da Líbia, não recebendo qualquer resposta, pelo que o caminho a seguir foi telefonar para os donos de um navio de bandeira portuguesa, o Anne, que estava por perto e que, afinal, "já tinha recebido ordens para resgatar os migrantes em coordenação com a auto proclamada guarda costeira da Líbia".

A ONG garante que existiu uma violação do direito internacional pois "a Líbia [um país em guerra] não é considerada um porto seguro".

A Alarm Phone está agora muito preocupada com a situação dos migrantes devolvidos para o Norte de África.

"Quando nos ligaram eles gritavam que queriam ser salvos pois estavam em grande perigo, mas mesmo aí sublinhavam que não queriam voltar para o terror da Líbia. Todos sabem que a situação na Líbia é horrível", relata o responsável da ONG.

Ainda não é certo se os ceracac de uma centena de migrantes já saíram, entretanto, do navio de bandeira portuguesa que nesta altura continua perto da cidade de Misrata.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, já admitiu, em declarações à TSF, que pode ter existido uma violação das leis internacionais pelas autoridades de Malta. Em causa as ordens para salvar e depois devolver os migrantes à Líbia.

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