Morte de Bruno Candé Marques prova que racismo "existe de forma quotidiana" em Portugal

O ator Bruno Candé Marques morreu após ter sido baleado por um idoso em Moscavide.

O diretor-executivo da Amnistia Internacional Portugal, Pedro Neto, considera preocupante a morte ator Bruno Candé Marques, baleado este sábado em Moscavide, no concelho de Loures, considerando tratar-se de um crime com motivações de ódio racial.

Em declarações à TSF, Pedro Neto diz que é preciso dar atenção a esta caso, para que se possa "fazer justiça" e combater o racismo em Portugal.

"Há certas correntes mais extremadas que estão em fase negação quanto ao problema do racismo, mas o certo é que ele existe, e existe de forma quotidiana", mesmo ao ponto de "atentar contra a vida humana", como aconteceu neste caso, condena.

O diretor-executivo da Amnistia Internacional Portugal diz o problema não se resolve apenas com uma mudança na lei: "é preciso que haja uma educação forte e veemente para valores de direitos humanos, de multiculturalidade, de respeito entre as pessoas e de combate, pela positiva, a todas e quaisquer formas de discriminação que não fazem qualquer sentido", defende.

Em declarações na TSF, a deputada municipal de Loures do Bloco de Esquerda Rita Sarrico concorda que mais do que mudar a lei é necessário "um debate amplo sobre o racismo em Portugal".

"Continuar a olhar para o lado e fingir que [o racismo] não existe é ingénuo e torna-se perigoso, com discursos cada vez mais extremados (...) infelizmente ontem provou-se o quão perigoso isso é."

Por sua vez, Elza Pais, antiga secretária de Estado da igualdade e conselheira da igualdade do Alto Comissariado das Migrações, defende que não é preciso fazer mexidas na lei - "não é por aí que se combate a xenofobia", diz.

Bruno Candé Marques morreu após ter sido "baleado em várias zonas do corpo" por outro homem, com "cerca de 80 anos", na avenida de Moscavide.

O óbito foi declarado no local e o homem responsável pelos disparos foi detido, tendo-lhe sido apreendida uma arma de fogo.

Questionado sobre se o crime foi motivado por racismo, o comissário da PSP Bruno Pires referiu, em declarações à agência Lusa, que "a única coisa que se sabe, e que poderá ser útil para a investigação, é que já existem relatos ao longo desta semana de desacatos".

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