"Mudou muita coisa." Autarca de Odemira diz que condições dos migrantes foram melhoradas

Cumpre-se um ano desde que foi decretada uma cerca sanitária em duas freguesias do concelho.

O presidente da Câmara de Odemira (Beja), Hélder Guerreiro, garantiu que foram dadas respostas "fortemente" transformadoras no território, no último ano, para melhorar as condições de vida e de habitabilidade dos trabalhadores migrantes das explorações agrícolas.

"Do ponto de vista estrutural e relativamente à questão que tinha que ver com as condições de habitação dos trabalhadores nas explorações agrícolas, principalmente os trabalhadores temporários que vêm numa determinada altura do ano e que precisam de habitação condigna como todos nós, mudou muita coisa", disse o autarca em entrevista à agência Lusa.

Esta sexta-feira cumpre-se um ano desde que foi decretada uma cerca sanitária em duas freguesias do concelho, devido à elevada incidência de casos de Covid-19 entre os trabalhadores migrantes das explorações agrícolas, a qual entrou em vigor no dia seguinte e foi levantada às 00h00 do dia 12 de maio.

A cerca sanitária colocou o concelho sob os holofotes mediáticos, devido às condições desumanas em que muitos trabalhadores viviam, sobretudo trabalhadores temporários em campanhas agrícolas de empresas de hortícolas e frutos vermelhos.

Na altura, o primeiro-ministro, António Costa, sublinhou que "alguma população" vivia "em situações de insalubridade habitacional inadmissível, com sobrelotação das habitações", considerando mesmo tratar-se de "uma violação gritante dos direitos humanos".

Um ano depois, o autarca de Odemira revelou que "já existem aprovados e estão a ser implantados no território" alojamentos temporários em diferentes explorações agrícolas "com capacidade para 2.000 pessoas", o que "é fortemente transformador".

De resto, recordou, esta era uma das medidas previstas na "resolução do Conselho de Ministros" e nos acordos assinados entre o Governo, "as explorações agrícolas e a Câmara Municipal [de Odemira] para resolver a questão da habitação".

Questionado sobre se estas 2.000 camas ficam aquém das reais necessidades, o autarca disse que "cerca de 80% destes projetos são novos" e que, em 2021, "não existia nenhum legalizado" no território.

"Ainda agora está a ser implementada uma nova Instalação de Alojamento Temporário Amovível [IATA] para os trabalhadores, que não existia, portanto, se calhar 80%" corresponde "a nova capacidade de alojamento, o que é muito importante, porque alivia desde logo aquilo que era a habitação nos aglomerados urbanos", frisou.

Este novo cenário "permite uma ação muito mais efetiva sobre as condições de habitabilidade dentro dos aglomerados urbanos. Se no ano passado não havia resposta, este ano já há", pelo que "não há desculpa nenhuma para que as coisas não funcionem melhor este ano", avisou.

"Há algumas coisas a limar, nomeadamente alguns alojamentos que ainda não foram licenciados [e] precisam de uma resposta nos próximos dois meses", reconheceu o autarca, frisando que, para quem "ainda não se licenciou, não tem desculpa para não o ter feito".

Defendendo que "é preciso agir sobre esses processos" que não estejam licenciados, Hélder Guerreiro alertou que o município está a preparar-se "do ponto de vista jurídico" para atuar.

No entanto, e apesar de estar garantida habitação "para cerca de 2.000 pessoas, na próxima campanha" agrícola, o presidente da câmara defendeu que é preciso monitorizar as condições desses trabalhadores "dentro das explorações agrícolas".

"Vamos estar atentos e perceber como é que a coisa corre, até no sentido de garantir que estas pessoas, estando em alojamentos nas explorações agrícolas, estão bem", sublinhou.

E manifestou vontade de realizar "as vistorias necessárias, depois da aprovação e implementação" das IATAS nas explorações agrícolas, de modo a "perceber se, de facto, estão nas condições em que foram aprovados".

A autarquia vai "tentar, em conjunto com as empresas, proprietários e mesmo com a ACT [Autoridade para as Condições no Trabalho] e a delegada de Saúde, que haja alguma permeabilidade dos proprietários dessas explorações" para "monitorizar, ao longo do tempo, se as condições destes trabalhadores se mantêm", afirmou.

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