Observatório recomenda "menos de 20 minutos" no início do combate a fogos

De forma a reduzir a ocorrência de grandes fogos, a primeira intervenção não deve ultrapassar os 20 minutos. Quem o refere é o Observatório Técnico Independente, num estudo entregue na Assembleia da República.

A primeira intervenção no combate a incêndios rurais deve ser assegurada "em menos de 20 minutos", no sentido de reduzir a ocorrência de grandes fogos, segundo um estudo divulgado esta quarta-feira pelo Observatório Técnico Independente da Assembleia da República.

O estudo técnico, denominado "A valorização da primeira intervenção no combate a incêndios rurais", indica que, "a par das condições meteorológicas, a rapidez da primeira intervenção é um fator com influência muito significativa na dimensão final dos incêndios".

Neste âmbito, os dados do Sistema de Gestão de Informação de Incêndios Florestais (SGIF), com análise do histórico 2001-2019, permitem concluir que "quando o tempo de intervenção foi inferior a 10 minutos a percentagem de ocorrências que ultrapassaram os 100 hectares foi muito baixa (0,42%), dos quais apenas 0,06% ultrapassam os 1000 hectares".

Pelo contrário, "quando o tempo de primeira intervenção foi superior a 50 minutos quase 2% das ocorrências ultrapassaram o limite de 100 hectares, das quais 0,43% ultrapassaram mesmo os 1000 hectares", revelou o estudo técnico.

Com base nesta análise, o Observatório Técnico Independente, criado pela Assembleia da República em 2018, para acompanhamento e avaliação dos incêndios florestais e rurais que ocorram em território nacional, apurou que os tempos de primeira intervenção mostram "uma relação clara" com a dimensão final do incêndio e que há uma grande dependência da dimensão do incêndio com a meteorologia, pelo que é "de grande importância garantir uma primeira intervenção mais rápida quando a meteorologia é mais severa".

Além de considerar "adequado" conseguir uma primeira intervenção "em menos de 20 minutos", objetivo que se deve estender a todo o território, aproveitando as características dos diferentes meios, o estudo técnico recomenda que a base de dados do SGIF seja mantida e associada à base de dados do Sistema de Apoio à Decisão Operacional (SADO) e que o planeamento da distribuição espacial dos locais de estacionamento estratégico e das equipas de sapadores florestais seja efetuado no quadro do conjunto de todos os meios de ataque inicial.

Tempo de intervenção deve ser definido em função das condições meteorológicas

Outras das recomendações indicam que o dispositivo de ataque inicial deve ser avaliado no seu conjunto, incluindo a complementaridade dos meios terrestres de bombeiros e sapadores florestais e dos meios aéreos, e que o critério de tempo máximo de primeira intervenção deve ser definido em função das condições meteorológicas.

Segundo o estudo do Observatório Técnico Independente, que não teve em conta as questões da simultaneidade de ocorrências e do tempo crítico entre a ignição e o alerta, os dados do SGIF evidenciam a importância da primeira intervenção na dimensão final dos incêndios, mas "não permitem avaliar a importância do tipo de meios utilizados na primeira intervenção nem da importância dos outros meios envolvidos no ataque inicial para o sucesso do combate".

Na análise, os técnicos apuraram ainda que a rapidez da primeira intervenção "é muito variável" no território, verificando-se que há áreas em que ocorrem grandes incêndios com tempos de intervenção frequentemente maiores do que os indicados como objetivos no Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios (PNDFCI) e nas diretivas operacionais.

A distribuição geográfica dos bombeiros e dos seus quartéis acompanha a distribuição geográfica da população, o que dificulta "uma primeira intervenção atempada em zonas de menor densidade populacional", reforçou o Observatório, acrescentando que a distribuição geográfica dos sapadores florestais e dos locais de estacionamento estratégico é um complemento importante aos corpos de bombeiros para os meios terrestres de primeira intervenção, apesar de não cobrirem algumas áreas do território.

Assim, o estudo técnico avança que a redução dos tempos de primeira intervenção só pode ser conseguida através do reforço da quantidade de meios de ataque inicial e da otimização da localização geográfica desses meios, acrescentando que os meios aéreos podem fornecer "a componente em falta em áreas significativas do território", possibilitando a aproximação aos objetivos definidos de uma primeira intervenção em menos de 20 minutos.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados