Oração e solidariedade dão nova existência a capela convertida à igreja ortodoxa há uma década

Em Viana do Castelo, a capela de Santo André foi, em tempos, um espaço de culto da igreja ortodoxa e de encontro da comunidade local. Hoje, é um local de ações e orações pela paz.

As orações pelo fim da guerra na Ucrânia multiplicam-se por estes dias na capela de Santo André, na estrada de Santa Luzia, em Viana do Castelo. O templo do século XIX (1896) foi convertido para culto da igreja ortodoxa há cerca de uma década por imigrantes ucranianos, romenos, búlgaros, bielorrussos, russos e moldavos. Foi cedido pela paróquia de Santa Maria Maior e em três meses foi reconstruído.

A guerra deu agora um novo sentido à sua existência.

"A igreja, de um dia para o outro, mudou a sua forma de existir. A partir deste trágico momento, além de reunir a gente junto ao altar do Nosso Senhor, transformou-se num armazém para todos os que abriram o seu coração para a necessidade do povo ucraniano, que está nesta terrível situação", contou à TSF o padre Vasilio Savchuk, nascido na Ucrânia há 47 anos, e que, por estes dias, não tem mãos a medir para apoiar a comunidade ortodoxa, não só de Viana do Castelo, no Norte de Portugal, mas também em Vigo e Santiago de Compostela, na Galiza.

Desde que a Ucrânia foi invadida pela Rússia, há mais de um mês, uma maré de solidariedade chega sem parar à pequena capela. A população local reagiu, desde os primeiros dias de guerra, com a entrega de alimentos, roupa e produtos para bebés e criança, ração para animais, agasalhos, mantas, leite, água, medicamentos.

A capela de Santo André, na encosta do monte de Santa Luzia, foi cedida no final de 2011 pela paróquia, na altura liderada pelo padre Armando Dias. No ano seguinte, passou a ser espaço de culto da igreja ortodoxa e de encontro da comunidade local.

"A capela estava em muito mau estado. Faltava o chão, o teto e toda ela era ruína. As pessoas quando entravam diziam que não iríamos ter dinheiro para a reconstruir, mas eu dizia sempre: 'Deus vai ajudar'", recorda o sacerdote, acrescentando: "Ao segundo dia de trabalho, acabou-se o dinheiro, 220 euros, que tínhamos para material. Graças a Deus juntaram-se as comunidades daqui e de outras partes e ao fim de três meses ficou em condições para poder celebrar".

Hoje abre espaço a ações e orações pela paz.

"Tem sido difícil dormir todos estes dias. É uma preocupação máxima. Esta tragédia transmite-se a todo o povo que está presente na igreja. Especialmente, estamos a multiplicar as orações por todos aqueles que nos governam, que governam o Mundo, para que Deus os ilumine e vejam o ser humano como humano e não com objeto", afirma o padre Vasilio Savchuk.

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