Preocupação e revolta, mas sem surpresas. Autarcas reagem ao vai e vem no desconfinamento

O concelho de Cabeceiras de Basto recua no desconfinamento, enquanto Carregal do Sal e Resende não avançam. Os autarcas estão preocupados e revoltados, mas não se mostram surpreendidos.

A ministra do Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, anunciou esta quinta-feira que o concelho de Cabeceiras de Basto vai recuar no desconfinamento, por apresentar uma incidência superior a 240 casos por cem mil habitantes.

Francisco Alves, presidente da Câmara, diz à TSF não ter ficado surpreendido pelo facto do concelho dar um passo atrás no desconfinamento, o que significa que os restaurantes, por exemplo, voltam a ter de fechar às 13h00 nos fins de semana e a diminuir o número de clientes por mesa.

"É uma situação que me preocupa, embora não me surpreenda muito. Nós tínhamos, há uma semana, à volta de 536 casos por cem mil habitantes e agora já estamos nos 375 ou 378, salvo erro. Em oito dias, já baixámos bastante e aguardamos que, nos próximos dias, possamos acentuar ainda mais esta descida", afirma.

O autarca refere que, tendo em conta o número de casos, já estava à espera. Francisco Alves adianta também que foram feitos testes na comunidade escolar e, em dois mil testes, "apareceram sensivelmente 30 casos positivos". "Num concelho como o nosso, isso eleva-nos logo para um patamar bastante elevado", reconhece.

O presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto lamenta que a autarquia tenha deixado de receber os dados, que até agora eram enviados pelo agrupamento de centros de saúde do Alto Ave, e que permitiam saber com mais rigor que freguesias estavam a ser mais afetadas.

"Essa situação também nos prejudicou bastante porque podíamos fazer um trabalho de proximidade e até saber onde estariam esses casos. Questionei o agrupamento e o que me disseram é que eram ordens superiores", admite.

O concelho de Cabeceiras de Basto volta a confinar, mas o autarca acredita que vai ser apenas por 15 dias. Quanto à vacinação contra a Covid-19, Francisco Alves garante que está tudo a correr bem, estando já a ser vacinadas as pessoas com idades entre os 64 e os 60 anos.

Carregal do Sal e Resende não avançam no desconfinamento

Carregal do Sal é um dos quatro concelhos do país que continua preso no desconfinamento. O presidente da Câmara está revoltado pelo facto de o concelho continuar sem desconfinar. Em declarações à TSF, Rogério Abrantes defende a revisão dos critérios e não esconde a revolta.

"Isto tem que começar a ser visto de outra maneira. Nós continuamos confinados por causa de um caso. Isto tem que ser revisto, se não o melhor é fechar o concelho de uma vez por todas e acabarmos com isto", afirma.

O autarca de Carregal do Sal diz que já falou com quem de direito, mas até agora nada mudou.

No distrito de Viseu, também Resende continua a marcar passo no desconfinamento e continua sujeito às medidas do dia 5 de abril. À TSF, o presidente da Câmara, Garcez Trindade, adianta que não foi uma surpresa o concelho se manter fechado e, segundo o autarca, esta situação ainda é "reflexo da vaga relativa à Páscoa".

O autarca acredita que na próxima semana Resende vai sair da zona vermelha e voltar a desconfinar. "Estou convencido que dentro de oito dias já passaremos para a terceira fase e isto já melhorará e tudo irá voltar à primeira forma. O que é preciso é acelerar o processo de vacinação e pedir às pessoas para terem cuidado", diz.

Além de Carregal do Sal e Resende, também Paredes e Odemira não avançam no desconfinamento. Já Miranda do Douro, Aljezur, Portimão e Valongo começam a desconfinar ao ritmo do resto do país. Outros 23 concelhos estão em alerta.

LEIA AQUI TUDO SOBRE A COVID-19.

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