Rede nacional vigia vírus responsável por infeções respiratórias em crianças

A maioria dos países apresenta um registo de casos de RSV associado a uma rede de vigilância já existente, como a da gripe, e na Europa apenas no Reino Unido e em França existe uma rede de vigilância específica e exclusiva para este vírus.

A Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) vai lançar a Rede Nacional de Vigilância para o Vírus Sincicial Respiratório (RSV), o principal responsável por infeções respiratórias em crianças com menos de dois anos, que de início abrangerá quatro hospitais.

Em declarações à Lusa, a presidente da SPP, Inês Azevedo, explicou que Vírus Sincicial Respiratório (RSV) "é o maior responsável pelos internamentos em idade pediátrica, sobretudo nos primeiros dois anos de vida e o principal agente responsável pelos internamentos por bronquiolite aguda", uma doença comum na infância e que obriga a internar cinco mil crianças por ano em Portugal.

A responsável sublinhou a importância de ter uma rede própria para a vigilância deste vírus, projeto que contará com uma parceria com o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), explicando que "cerca de 20% dos internamentos em crianças abaixo dos dois anos são por bronquiolite aguda e, destes, cerca de 2/3 são pelo vírus sincicial respiratório".

"Tem imenso impacto em termos de saúde, nas crianças e nas famílias, e um enorme impacto sobre os serviços de saúde", acrescentou.

Inês Azevedo lembrou que há novas vacinas e tratamentos em estudo, mas sublinho que, antes da introdução deste tipo de novos fármacos ou vacinas, "é fundamental ter um conhecimento preciso sobre qual a importância do vírus a nível nacional".

"Há estudos feitos sobre bronquiolites, mas não nos permitem dizer se estas foram provocadas pelo vírus sincicial respiratório ou não", afirmou a presidente da SPP, frisando que esta rede de vigilância permitirá "ter dados precisos sobre este vírus e a sua importância na população".

"Nesta fase inicial iremos usar em crianças hospitalizadas e, mais tarde, iremos provavelmente alargar à comunidade", explicou a responsável.

Questionada pela Lusa sobre a eficácia do seguimento deste vírus através da rede de vigilância da gripe, que já existe, Inês Azevedo explicou: "Através da rede vigilância da gripe já se faz a busca do vírus sincicial respiratório, mas como este vírus tem sobretudo impacto no internamento, a rede da gripe é pouco eficaz."

"Daí termos a necessidade de uma rede vigilância para especifica para a pediatria", insistiu.

A responsável apontou ainda o protocolo de parceria que está a ser finalizado com o INSA e disse que, de inicio, a rede conta com quatro hospitais - Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, Centro Hospitalar Universitário São João (Porto), Hospital Pediátrico do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra e Hospital Central do Funchal.

"A breve prazo alargaremos aos outros hospitais representativos de todo o país", afirmou.

Inês Azevedo reconheceu que este inverno (2020/2021) "foi atípico por causa da pandemia, ao contrário dos cinco casos que costumamos registar".

"As máscaras são uma defesa importante e as crianças também tiveram fora da escola nos confinamentos. Isso também contribuiu", disse a responsável, acrescentando: "Mais uma razão para ser um ano de extrema importância para percebermos o que se passa [ao nível destas infeções respiratórias nas crianças] e para estarmos atentos ao próximo ano".

O Vírus Sincicial Respiratório (RSV) é responsável por cerca de 60% a 80% dos casos de bronquiolite e 40% de pneumonias em idade pediátrica.

A maioria dos países apresenta um registo de casos de RSV associado a uma rede de vigilância já existente, como a da gripe, e na Europa apenas no Reino Unido e em França existe uma rede de vigilância específica e exclusiva para este vírus.

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