"Romaria de outubro" em Viana exige que voz do povo contra o lítio seja "vinculativa"
Viana do Castelo

"Romaria de outubro" em Viana exige que voz do povo contra o lítio seja "vinculativa"

Chamaram-lhe "a romaria de outubro" e encheram a cidade de Viana do Castelo este sábado de manhã de festa e de vozes de protesto contra a exploração de lítio na Serra d'Arga. Quatro movimentos de contestação e os cinco presidentes de Câmara dos municípios abrangidos por aquele território lideraram uma manifestação, que, segundo a organização e a própria PSP, contou com um milhar de participantes. O protesto ficou marcado também pela presença de vários cantores populares como Augusto Canário, Cândido Miranda, Zezé Fernandes e Quim Barreiros, que transformaram uma canção típica do Minho, "Fora da Bouça", numa espécie de hino da luta contra o lítio na região, cantando "fora da serra que a serra é nossa".

Os manifestantes exigiram que "a vontade da população seja respeitada". "O povo do Minho saiu à rua para dizer que é o povo que decide o que fazer com o seu território, para dizer que o respeito pelos cidadãos tem de se estender ao mundo rural e que os habitantes de uma região afetada por uma decisão política nacional devem ser consultados e a sua decisão deve ser vinculativa", declarou Carlos Seixas, do movimento SOS Serra d'Arga, que organizou o protesto juntamente com outros três movimentos, entre eles o SOS Terras do Cávado. "No dia em que se lembrarem de meter uma máquina só que seja, na serra nós todos estaremos lá para dizer: não avançam, não vão conseguir", disse Vasco Santos, deste último movimento.

Uma faixa onde se lia "Litoral e interior unidos derrotam as minas sem partidos", foi levantada nas costas dos cinco autarcas (Viana do Castelo, Caminha, Ponte de Lima, Vila Nova de Cerveira e Paredes de Coura), que encabeçaram a manifestação.

"Daqui de Viana sai uma grande mensagem também para as multinacionais de exploração mineira, de lítio: 'nós somos um povo hospitaleiro, o Minho é de gente hospitaleira, mas aqui no nosso território, aqui na Serra d'Arga não são bem-vindos'", declarou Miguel Alves, autarca de Caminha, que discursou perante os manifestantes em representação de todos os municípios. E considerou o protesto "um exercício de unidade e de emoção que o Alto Minho sabe dar". Os autarcas alto-minhotos presentes (quatro do Partido Socialista e um do CDS) prometeram pronunciar-se no âmbito "da audição ambiental, e constituir a área protegida da serra d'Arga, como forma de impedir a exploração de lítio de avançar.

Luís Nobre, presidente da Câmara de Viana, recém-eleito pela primeira vez, disse que vão "fazer tudo para que o processo não avance". "É preciso ser dito que já houve um grande avanço, com a exclusão do despacho da Rede Natura e também da área protegida, mas não estamos satisfeitos. Entendemos que é um ativo do país, mas que encontrarão outros espaços mais equilibrados em que os fatores naturais não estejam tanto em risco como aqui", afirmou.

O protesto que este sábado se prolongou por três horas ficou marcado pela presença de vários cantores populares como Augusto Canário, Cândido Miranda, Zezé Fernandes e Quim Barreiros. "Estou aqui com a minha gente, com o meu povo, a defender aquilo que é nosso: Não ao lítio, sim à Serra d'Arga", afirmou Quim Barreiros.

Aqueles artistas transformaram a manhã em Viana numa autêntica romaria minhota e adaptaram uma canção típica do Minho, "Fora da Bouça", fazendo dela uma espécie de hino da luta contra o lítio. Cantaram: "Fora da serra que a serra é nossa."

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