Salinas vão ter ilhas para pássaros fazerem ninhos

Ao implementar as bio-ilhas, a associação Vita Nativa pretende proteger as aves de predadores, ajudando a que se possam reproduzir em tranquilidade.

"Já vimos arrábias, que são uma espécie de patos que vêm hibernar a Portugal, pernilongos..." Juliana, bióloga com um mestrado em ecologia e gestão ambiental, vai enumerando as espécies que já avistou. Chegou às salinas às 07h00 para observar e contar as aves que por ali andam através dos binóculos e telescópio." Estas, as maçarico-de-bico-direito, são aquelas maiorzinhas", explica. As aves estão no meio de uma das salinas, em cima de uma estrutura em madeira flutuante. Uma bio-ilha, um projeto que está a ser levado a cabo pela Associação Vita Nativa.

Thijs Valkenburg, presidente da Associação, afirma que a intenção de implementar estas estruturas dentro das salinas é proteger as espécies que nidificam naquele local. "São espécies que habitam nestas zonas mas que têm a sua vida dificultada por causa dos predadores, quer sejam cães, gatos ou mesmo pela atividade humana", acrescenta. Estas estruturas, rodeadas de água, impossibilitam que esses predadores cheguem até aos pássaros. Desta forma, as aves sentem-se mais seguras para colocar os ovos.

"O declínio populacional a que algumas das espécies-alvo veem assistindo pode ser invertido com a implementação destas ilhas, que visa precisamente a fixação de indivíduos que utilizem e se reproduzam com sucesso nestes locais. O decréscimo nestas populações de aves está diretamente associado ao abandono das salinas e à grande pressão humana que se verifica nestes habitats", sublinha a Vita Nativa. "Com a implantação destas ilhas e a requalificação de combros de salinas degradados, ajudar-se-á à fixação de populações de aves nidificantes, algumas com populações em declínio na Europa, como a chilreta (Sternula albifrons), a perdiz-do-mar (Glareola pratincola),o alfaiate (Recurvirostra avosetta) e o borrelho-de-coleira-interrompida (Charadrius alexandrinus)".

Além desta salina, que se situa entre Faro e Olhão, a associação está também a desenvolver a iniciativa nas lagoas de uma Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR).

Só daqui por algum tempo se poderá perceber se realmente os pássaros estão a usar estas bio-ilhas para nidificarem. Mas, até aqui, sem estas estruturas, por vezes "numa semana estão 10 ovos num ninho e na semana seguinte essa colónia já desapareceu", adianta Thijs Valkenburg.

O projeto bio-ilhas pretende ir mais além e ter também uma componente turística." São espaços da natureza que as pessoas procuram e estamos a tentar melhorar todo o espaço em volta", salienta João Pedro, o proprietário das salinas do Grelha. Colocar painéis informativos para que quem visite as salinas possa identificar as aves e também fazer educação ambiental, levando as crianças das escolas a observarem a passarada, são algumas das ideias que estão em carteira. O projeto bio-ilhas decorre até fevereiro de 2023.

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