Simone de Oliveira disse não a um cargo político e Marta Temido não podia ser cantora

Cantora e ministra da Saúde estiveram frente a frente numa Conversa com Rastilho.

Simone de Oliveira e Marta Temido protagonizaram uma Conversa com Rastilho em que a artista se transformou praticamente em jornalista, dirigindo várias perguntas à ministra da Saúde que, recorda, ainda nem era viva quando a cantora lançou "Desfolhada", um dos seus maiores êxitos.

Entre muitas gargalhadas, governante e cantora partilharam opiniões, "trocaram" profissões e falaram sobre arte e saúde e mostraram que estudaram bem a vida uma da outra.

Simone de Oliveira admitiu que esteve a um passo de entrar na política, mas não se arrepende de ter dito "não" ao convite do PS para o Parlamento Europeu, ainda no tempo de Guterres no Governo.

"Se eu tivesse um bocadinho menos de génio, eu gostava de ter entrado na política, mas como tenho um bocadinho de génio, de repente tiravam-me da sala e prendiam-me. Portanto, achei melhor não", começou por contar a cantora. "Acho que é fascinante, mas acho que é extremamente complicado, tem de se ter uma cultura que eu não tenho, tenho uma cultura musical, sou capaz de falar de cantigas e de teatro, de outro tipo de política não sei. E daí, com umas ajudas, talvez tivesse chegado lá. Aliás, tive um convite há muitos anos para ir para o Parlamento Europeu", continuou Simone de Oliveira.

A artista lembra-se de Jorge Lacão ter ido a sua casa fazer-lhe a proposta. "Fiquei sentada duas horas a olhar para o Dr. Lacão, [perguntou-me] se queria ir para a sede do PS aprender tudo o que tinha de aprender durante seis ou sete meses. Eu disse "eu só canto, canto umas coisas ali e outras acolá". "Não, mas nós gostávamos muito." E deram-me 48 horas e foram 48 horas de desespero", recorda.

Pediu opinião ao marido, aos filhos. Só a filha acha que devia ter dito que sim. O filho, relembra-se, disse que ia "deixar de ser a Simone de Oliveira que todos conhecemos para passar a ser outra pessoa". "E o Varela disse-me a mesma coisa: 'Olha, esse teu geniozinho que tu tens...'".

"Eu pensei melhor e disse assim "um dia mandam-me cantar no Minho e vou para Faro". E então disse que não, levei ali 48 horas... Não estou nada arrependida", assegura Simone de Oliveira, apesar de admitir que sentiu a tentação.

Caso tivesse seguido carreira na política e tivesse chegado a governante, não tens dúvidas sobre a pasta que gostaria de tutelar: cultura.

Já Marta Temido nunca poderia ter sido cantora. Sempre foi "extremamente desafinada", diz, "culpando" a mãe pela falta de jeito para a música. Porém, a ministra da Saúde até gostava de ter feito teatro, mais para o drama, e admite-se fã de Meryl Streep e do papel no filme "África Minha".

A jornalista Simone

Simone de Oliveira estudou bem o percurso profissional de Marta Temido e não deixou passar em branco a quantidade de cursos da ministra, perguntando-lhe mesmo como é que uma mulher tão tem tantos cursos.

Marta Temido não esconde que nunca foi uma excelente aluna, admite que passou "sempre ali no 10 e no 11". "Como aluna da Universidade de Coimbra as notas não eram elevadas e eu não tinha tanta apetência para o Direito como achava. Foi um curso feito cumprindo os mínimos, mas que me deu instrumentos muito importantes para a vida", conta a governante.

A artista continua no papel de jornalista e pergunta mesmo "O que é que se tem de fazer para chegar a ministra?". "Pois, não sei, penso que poderá ter sido, eventualmente, um acidente de percurso", responde, frisando que a vida profissional nunca foi muito planeada.

Algo que tem em comum com Simone de Oliveira, que também nunca quis fazer grandes planos para a vida.

Sobre a saúde, Simone de Oliveira sublinha que confia no SNS, que apenas por uma vez usou o privado e reflete sobre o facto de ser necessário mudar algo devido à geração mais velha. Também não esqueceu a saúde mental que, diz, é um problema que tem de ser enfrentado com mais meios e diferentes.

"Penso que é um serviço de exceção que mudou radicalmente a vida dos portugueses, mas que precisa de evoluir e que há muito trabalho para preservar o SNS e para o tornar um serviço nacional de saúde do século XXI. O SNS é um bom serviço público, tem algumas características que dificultam extraordinariamente a sua função e a sua responsabilidade, o facto de não fechar a porta a ninguém, não cobrar qualquer valor além da taxa moderadora, ter vindo a procurar alargar aquilo que são os serviços que disponibiliza", reforça a ministra da Saúde.

Marta Temido sabe que tem uma "pasta consabidamente complicada", tem até amigos que tiveram a mesma função, mas admite que o trabalho só se vê mais tarde. "Os conselhos se fossem bons não se davam, vendiam-se e sobretudo a disponibilidade dos ouvidos, às vezes teimosos - que são os meus - é uma coisa difícil. Mas olhe que alguns amigos dizem-me "um bom ministro da saúde só passa a ser bom no fim de ter saído" e, portanto, eu espero que esse vaticínio se confirme", concluiu.

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