#TetrisChallenge. Polícias e guardas garantem que andam com coletes e gás pimenta fora de prazo

O que mostra um desafio viral que anda pela internet sobre o estado das forças de segurança em Portugal?

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) e a Associação dos Profissionais da Guarda (APG) garantem que muitos polícias e guardas andam com coletes à prova de bala ou gás pimenta fora de prazo e lamentam que muitos dos materiais que as forças de segurança usam, como algemas, tenham de ser comprados pelos próprios. As maiores associações representativas de quem trabalha na PSP e na GNR reagem assim às muitas imagens que têm surgido nas últimas semanas nas redes sociais em resposta a um desafio internacional que também chegou a Portugal, o chamado #TetrisChallenge.

Neste #TetrisChallenge, que se foi tornando viral, os agentes das forças de segurança ou de emergência deitam-se no chão com tudo o que se pode encontrar dentro da sua viatura.

A ASPP e a APG sublinham que as fotos que surgiram em Portugal revelam bem a 'pobre' realidade portuguesa, subscrevendo um alerta do Movimento Zero, que reúne polícias e guardas num grupo anónimo do Facebook que já tem 52 mil seguidores.

Os líderes da ASPP e da APG dizem, olhando para algumas das imagens do Tetris Challenge publicadas pelas forças de segurança, que até parece que há muitos meios em Portugal. O problema, explicam, é que grande parte destas imagens não são de carros patrulha normais, mas de departamentos especiais que, pelas suas características, têm, naturalmente, mais material dentro das viaturas.

ASPP e APG garantem que, com frequência, nem os materiais mais básicos existem dentro dos carros patrulha portugueses, que ficam muito longe de ter os meios que existem, por exemplo, na fotografia da polícia de Zurique que deu origem ao fenómeno #TetrisChallenge.

"Somos o parente pobre da Europa em termos de material", diz o presidente da ASPP, Paulo Rodrigues. "Quando olhamos para as imagens do Tetris, percebemos aquilo que é a polícia portuguesa e aquilo que são as polícias de outros países."

César Nogueira, presidente da APG, acrescenta que mostrar aquilo que os guardas têm de facto dentro dos carros patrulha "ridiculariza" Portugal.

Comprar algemas

O representante dos profissionais da GNR afirma que é frequente existirem viaturas de patrulha sem os dois coletes balísticos que deveriam ter e que as algemas são, muitas vezes, compradas pelos próprios guardas, pois "a instituição não tem como as fornecer".

Paulo Rodrigues conta que é normal os polícias terem de comprar algemas, mas também luvas ou lanternas, equipamentos que podem ser essenciais numa patrulha.

Coletes e gás pimenta fora de prazo

Nos equipamentos de proteção pessoal, diz a ASPP, "a maior parte dos polícias anda com o gás pimenta à cintura, mas este tem muitos anos e está completamente ultrapassado, sendo que muitas vezes nem funciona".

Uma das principais críticas da ASPP e da APG vai, no entanto, para os coletes à prova de balas e de facas, que, além de não chegarem para todos, têm com frequência mais de uma década, já tendo ultrapassado, segundo garantem, o limite de validade dado pelo fabricante.

No seguimento das críticas feitas pela ASPP e APG, a TSF questionou a GNR e a PSP. Do lado da polícia, a resposta refere que "podem, eventualmente, existir situações com materiais de consumo esgotados", mas "os mesmos são substituídos logo que possível ou que é conhecida a situação", explicando ainda que "as imagens relativas aos veículos das diferentes valências da PSP referem-se à composição tipo dos veículos".

Associação de Proteção e Socorro confirma falta de meios

O presidente da Associação de Proteção e Socorro não estranha os lamentos dos guardas e polícias. João Paulo Saraiva recorda que os voluntários desta associação já se depararam com casos em que as forças de segurança têm uma evidente falta de meios dentro dos carros.

"Já me tenho deparado com essas situações: há um acidente e, se não se tratar de uma viatura da área do trânsito, na esmagadora maioria dos casos não têm cones, nem fitas de balizamento ou luzes para assinalar os locais de perigo", detalha.

As imagens do Tetris Challenge, diz João Paulo Saraiva, são demonstrativas das limitações das forças de segurança portuguesas, salientando a falta, inclusive, de meios de primeiros socorros para ajudar um colega ou um cidadão.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de