Vinte e oito mulheres assassinadas, 45 órfãos. "É urgente repensar apoio à vítima"

O Observatório de Mulheres Assassinadas alerta que é preciso mudar mentalidades, investir na prevenção primária, e considera mesmo que chega de culpar o sistema.

Sónia Soares, do Observatório de Mulheres Assassinadas, diz que desde o início do ano foram assassinadas 28 mulheres, vítimas de violência doméstica e de crimes de ódio.

"São 28 as mulheres assassinadas nos contextos das relações da intimidade e relações familiares, mas o observatório regista ainda o assassinato de duas mulheres só pelo facto de serem mulheres. São os crimes de ódio. Registamos ainda 27 tentativas de femicídio, também nos contextos da intimidade ou perpetrados por familiares", relata Sónia Soares.

A responsável do Observatório de Mulheres Assassinadas alerta ainda para o facto de estas mortes afetarem 65 crianças; destas, 45 acabaram por ficar órfãs. Sónia Soares diz que é fundamental repensar as respostas, porque estas crianças não têm um apoio estruturado.

"Destes 67 filhos, 45 ficaram órfãos, e é muito preocupante, se atendermos a que Portugal ainda não tem uma resposta estruturada, especializada, continuada e pensada para responder aos filhos das vítimas deste tipo de crimes. Isto exige repensar nas respostas que existem para as vitimas de violência."

A maior parte dos homicídios ocorreu em casa da vítimas e os maus tratos eram do conhecimento de amigos e familiares. Por isso, Sónia Soares afirma que é preciso mudar mentalidades, investir na prevenção primária, e considera mesmo que chega de culpar o sistema.

"Quando nos mobilizarmos enquanto cidadãos e deixarmos de atribuir ao sistema judicial, às instituições de apoio à vítima, a responsabilidade de proteger a vítima e punir os agressores... Se nos demitirmos enquanto cidadãos na intervenção junto deste fenómeno, não vamos ter mudanças neste paradigma e na diminuição destes números. Além disso Portugal tem que investir em programas de formação primária, as ações de sensibilização não são suficientes para construir uma cidadania ativa".

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