Governo Sombra

Eles querem, podem, mas não mandam! Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia e João Miguel Tavares - num programa moderado por Carlos Vaz Marques - são o Governo Sombra. Um governo que não decide. Uma equipa ministerial sem consenso. Um conselho de ministros que convive bem com as fugas de informação. Semanalmente, passam a atualidade em revista, examinam à lupa os dossiês, interpelam os protagonistas sem rodeios.
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Ricardo Araújo Pereira sobre a "elasticidade da tripa humana"

No Governo Sombra desta semana, Ricardo Araújo Pereira (RAP) votou à defesa da liberdade de expressão, e falou sobre os casos de Samuel Paty e João Paulo Cuenca.

Esta semana, o caso do professor decapitado em França por um fundamentalista islâmico voltou a trazer ao debate a defesa da liberdade de expressão. Samuel Paty terá usado as caricaturas de Maomé numa aula semelhante às aulas de cidadania que existem em Portugal, para debater com os seus alunos a temática da liberdade de expressão, e nem o facto de ter dado dispensa aos alunos que preferissem não assistir à aula o livrou de ser barbaramente atacado e decapitado, como fez notar Ricardo Araújo Pereira.

O humorista recusou paralelismos com o caso de Famalicão, no qual um pai reclama objeção de consciência em relação às aulas de cidadania, porque essa objeção de consciência foi concedida aos alunos no caso do professor francês. RAP diz que o caso é mais parecido com outro que está a acontecer agora no Brasil: o escritor João Paulo Cuenca enfrenta uma série de processos judiciais da parte de pastores da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), depois de ter publicado em junho um tweet em que dizia que "O brasileiro só será livre quando o último Bolsonaro for enforcado nas tripas do último pastor da Igreja Universal". A frase é parafraseada de um texto de Jean Meslier, que escreveu, no século XVIII, que "O homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre". A fundamentação que os pastores da IURD estão a usar contra o escritor é a de que consideram o tweet literal, e que por isso constitui uma ameaça real à integridade física.

Não se trata de uma decapitação, é certo, mas a enchente processos judiciais pode levar o escritor à ruína, e por isso, Ricardo Araújo Pereira fez "alguma pesquisa na internet", para avaliar se seria possível interpretar o tweet de João Paulo Cuenca de forma literal. E chegou às seguintes conclusões: "Eu estive a ler uma coisas na internet, sobre a elasticidade das tripas humanas e sobre a resistência do pescoço dos Bolsonaros, e concluí que enrolar tripa de pastor da IURD à volta do pescoço de Bolsonaros proporciona um patético bungee jumping, na melhor das hipóteses, isto se não a rasgar." O humorista continua a caricatura da situação defendendo que nem o facto de Cuenca sugerir que se use "tripa dos pastores da IURD" para enforcar Bolsonaros" implica a morte de algum pastor da IURD "porque a tripa humana tem seis a nove metros e bastam dois metros (...) para enforcar um Bolsonaro. Portanto, é muito difícil sustentar que ele (Cuenca) queira mesmo matar alguém" - defende RAP.

A emissão completa do Governo Sombra, para ver ou ouvir, sempre em tsf.pt

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