Sinais

"Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Sopra o vento no castanheiro da Índia

A história de um jogo de futsal, de um qualquer jogo, pode ter muitos ângulos, muitas pontas soltas, muitos momentos fortuitos, muitos links; bolas ao poste, passes falhados, jogadas a régua e esquadro, assobios de enfado nas bancadas. Se me dessem como tarefa a crónica de um jogo de futsal, num escalão secundário, cuidaria de sondar o entorno, o em redor, as histórias do lugar, o entusiasmo clubista. Tomemos o jogo entre o Saavedra Guedes e o Dinamo Sanjoanense, disputado este sábado, às quatro da tarde, no pavilhão Irmãos Farinhas, em Pardilhó. Muito antes do início do jogo, trataria de desvendar quem foram os irmãos Farinhas, que histórias lhes estão associadas, que peso tem o seu legado no lugar. Ora o lugar é Pardilhó. E, para mim, Pardilhó é um sorriso largo de Fernando Assis Pacheco, apoiado numa velha bicicleta, esgalhando um fraternal manguito. Pardilhó é um certo poema d' "A Musa Irregular", soprado pelo "vento no castanheiro da Índia", certa vez em que "as mãos da tarde apertam a aldeia".

No sábado, o Dínamo Sanjoanense foi lá ganhar ao Saavedra Guedes, por 2-1. A crónica do jogo diz-nos o essencial, a que minutos os cartões amarelos e os vermelhos, os golos, as substituições. Desta vez, o grande momento do jogo também vem nos jornais. É o momento em que Pedro Sousa, o pivot do Dínamo, vendo a baliza escancarada, rematou deliberadamente ao lado. Desistiu de marcar um golo. O número 17 do Dínamo foi merecidamente aplaudido por esse lance de abdicação. Porque ele ocorreu quando Pedro Sousa se apercebeu de que o guarda-redes do clube de Pardilhó se lesionara segundos antes. O árbitro deu-lhe o cartão branco do fair play. Merecidamente. Mas eu fico a imaginar o modo como o Assis convocaria para ele, lá na aldeia onde terá desaparecido entretanto o último calafate, "os melros cantores de Pardilhó".

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