TSF à Mesa

Portugal fora, as fronteiras entre regiões são traçadas pelas paisagens e pela mesa. Das cidades às serras ou na imensidão das planícies, da melhor tradição portuguesa ao vanguardismo mais ousado. António Catarino sugere um país gastronómico que vale a pena apreciar.

Arroz de garnizé em terras limianas

Pelas estradas do Minho, atravessando povoações sem grandes atrativos e tão dispersas que refletem o desordenamento do território, a Nacional 360, que conduz a Ponte de Lima, pode ser opção para uma viagem tranquila.

A dado passo, a placa indica a localidade de Friastelas. À margem da estrada, a igreja local é bem visível. É um templo característico da região minhota, apesar das alterações feitas no século XIX à traça inicial da igreja construída no século XII.

De qualquer modo, é possível identificar a igreja como pertencente ao 2.º período do românico, já na fase de transição para o gótico.

A dois passos da igreja, do outro lado da estrada, no rés do chão de uma moradia igual a tantas outras, a Taberna Pimenta é conhecida pelos pitéus confecionados pela D. Olívia, Anfitriã simpática, extrovertida, com experiência na restauração, cedo ficou ao leme da casa. Perante o infortúnio, não baixou os braços e continuou a fazer o que mais gosta. Cozinhar é um vício, confessa, e por isso prepara, mediante reserva, saborosas iguarias com identidade regional.

A história da casa, que foi mercearia e taberna, vai já nos 60 anos.

O espaço é amplo e divide-se pelo café típico de aldeia e uma área que funciona como sala de refeições. Tudo muito espartano, singelo, pois luxo é coisa que por ali não existe. Ambiente popular e descontraído.

O fogão a lenha é figura central da cozinha e faz, de facto, a diferença.

O bacalhau, na melhor tradição minhota, está entre as especialidades da casa.

Do forno saiu, no momento certo, uma posta alta, com os lombos a desprenderem-se com facilidade, plenos de sabor. No ponto ideal. Um fio de azeite engrandeceu o prato, que teve como acompanhamento, batata a muro, de excelente qualidade.

Em seguida, foi tempo de abrir alas ao arroz de garnizé, confecionado em lume muito brando durante três horas e meia. O refogado, levado quase até ao limite, resultou em pleno e deu particular sabor ao arroz, confecionado com rigor e a tirar o melhor partido da carne do pequeno galináceo.

Um pitéu, também encomendado e muito raro, dada a dificuldade em conseguiu matéria-prima, e que satisfez plenamente.

Outras opções, também no mesmo registo, são o tradicional e mais comum arroz pica no chão; cabrito assado; bacalhau acompanhado com puré; arroz de lampreia e cozido à portuguesa, mais habitual no inverno.

Ao sábado, há broa cozida no fogão a lenha.

Para sobremesa, um pudim de pão de grande nível.

Garrafeira limitada, praticamente, aos vinhos verdes da região nesta casa de características populares e pitéus saborosos.

Taberna Pimenta, em Friastelas, no concelho de Ponte de Lima.

Localização : Friastelas (Ponte de Lima)

Contacto : 253341112/966281973

GPS : 41.67237 N ; -8.57882 W

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de