Portugal vai acolher até 10 migrantes "presos" no Mediterrâneo há mais de uma semana

Portugal é um dos quatro países da União Europeia que vão acolher os 64 migrantes "presos" num barco humanitário no mar Mediterrâneo, depois de terem sido resgatados no mar da Líbia.

O Ministério da Administração Interna (MAI) confirmou, este sábado, que Portugal irá receber até 10 dos 64 migrantes que estavam presos no navio "Alan Kurdi", em pleno Mar Mediterâneo, há 10 dias.

"Portugal manifestou disponibilidade para acolher até 10 migrantes resgatado deste navio", adiantou o Ministério da Administração Interna, em resposta à TSF.

"A informação já foi comunicada ao Governo de Malta e resulta de uma cooperação entre Portugal, Alemanha, França e Luxemburgo, com a coordenação da comissão europeia", acrescentou a tutela.

O anúncio da existência de um acordo para distribuir os migrantes foi feito por Malta que adiantou, no entanto, que não permitirá que o navio de resgate humanitário, de bandeira alemã, atraque nos seus portos.

A transferência dos migrantes do navio humanitário para portos de Malta será, assim, feita com barcos malteses, sendo as pessoas depois distribuídas por Portugal, Alemanha, França e Luxemburgo.

O barco, da organização humanitária alemã Sea-Eye, esteve vários dias "preso" no mar Mediterrâneo, sem porto onde atracar, depois de tanto a Itália como Malta terem recusado a entrada dos 64 migrantes - 50 homens, 12 mulheres e duas crianças.

A justificar esta recusa as autoridades maltesas alegam que a atividade dos navios humanitários na Líbia encoraja os traficantes de seres humanos.

Durante estes dias, a organização humanitária fez vários pedidos a Malta e a Itália para autorizarem o desembarque, até porque o barco se encontrava sem comida nem água, mas nenhum dos países deu autorização, tendo as autoridades italianas impedido até a aproximação à ilha de Lampedusa.

Esta não é a primeira vez que um país recusa receber um barco com migrantes e refugiados a bordo, situações que têm acabado por ser resolvidas apenas quando outros governos europeus aceitam dar asilo aos migrantes.

Em janeiro deste ano, dois barcos com quase 50 migrantes estiveram parados no mar, junto à costa de Malta, durante semanas.

Os navios de resgate também pertenciam a uma organização não-governamental alemã, e tinham recolhido 32 migrantes de um barco sem condições de segurança, na costa da Líbia, a 22 de dezembro, e depois mais 17 a 29 de dezembro.

Os dois navios estiveram parados em águas maltesas vários dias, depois de Malta, Itália e outros países europeus se terem recusado a oferecer abrigo aos migrantes.

O caso acabou por resolver-se quando oito países europeus, incluindo Portugal, decidiram acolher os migrantes.

"Tal como tem acontecido em todas as situações de emergência que resultam de resgates no Mediterrâneo, Portugal assume o seu compromisso de solidariedade e cooperação europeia em matéria de migrações, participando ativamente em todos os processo de acolhimento", refere o Ministério da Administração Interna, que sublinha, no entanto, a necessidade de "uma solução europeia integrada, estável e permanente, para responder ao desafio migratório".

Desde 2018, já chegaram a Portugal 106 migrantes, resgatadas pelos navios Lifeline, Aquarius I, Diciotti, Aquarius II, Sea Watch III e outras pequenas embarcações.

Notícia atualizada às 11h29

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