Anselmo Crespo

Um Plano Marshall contra o populismo

O plano de recuperação proposto esta semana pela Comissão Europeia não desiludiu os mais otimistas, mas também não transformou os pessimistas em crentes. Os "épicos" - como já lhes chamaram alguns - 2,4 biliões de euros para reconstruir a economia europeia não vão dar para tudo, mas simbolizam um esforço dos Estados-membros - de alguns, pelo menos - para salvar a Europa de uma desintegração que teria efeitos ainda mais catastróficos que a pandemia do novo coronavírus.

Anselmo Crespo

O Quarteto dos 3 Políticos Marcelo e Costa

Se formassem uma banda, desafiariam até os ouvidos menos sensíveis, mas só ouvia quem queria. Mas como são quatro dos mais relevantes protagonistas políticos do país, o caso é mais sério. Nas últimas duas semanas, António Costa, Rui Rio, Marcelo Rebelo de Sousa e Mário Centeno montaram um verdadeiro festival de jogadas políticas. Lembra-se do Quarteto dos 3 Irmãos Pedro e Paulo? No palco principal, hoje temos o Quarteto dos 3 Políticos Marcelo e Costa.

Anselmo Crespo

Das polémicas estúpidas e do que elas provocam

Nas últimas duas semanas, dei por mim, várias vezes, a tentar encontrar um racional para a polémica que se levantou com as cerimónias do 25 de Abril na Assembleia da República. Entrevistei, comentei e analisei o tema, porque a atualidade assim o exigia, mas, verdadeiramente, nunca consegui encontrar motivo que justificasse tão acalorada discussão em torno de um assunto que tinha, a meu ver, solução muito fácil. E que até representava uma excelente oportunidade.

Anselmo Crespo

Criminosos de guerra

Bem sei que estamos todos - ou quase todos - focados no combate à pandemia, a lutar pela vida e, ao mesmo tempo, a tentar salvar o que podemos da economia mundial. Bem sei que tudo o que enfrentamos é novo e que o desconhecido nos obriga, muitas vezes, a cometer erros. Que esses erros são humanos. Mas a forma como alguns líderes políticos têm lidado com a crise das nossas vidas devia ser considerada crime de guerra. Porque é uma guerra que estamos a travar. E porque "condenar" à morte ou à ditadura milhões de pessoas, com tamanha leviandade, só pode ser considerado criminoso.

Anselmo Crespo

Nigel Farage, André Ventura e os "homens reais"

Imagine uma fábrica de burocratas com uma linha de montagem que tem todas as peças necessárias. Pega-se no tronco, encaixam-se as pernas, depois os braços e, por fim, a cabeça. A cor do cabelo pode variar. Temos duas opções à escolha: moreno ou louro. Pente três a toda a volta, grande em cima, para dar aquele aspeto ondulado que está na moda. Temos gordinhos, mas o modelo com mais saída é o magro. Daqueles que correm todos os dias às seis da manhã, faça chuva ou faça sol, antes do banho e antes de vestirem o fato azul-escuro. Ao final da tarde, vão todos beber um copo ao pub mais perto do trabalho, antes de irem para casa.

Anselmo Crespo

Chicão, o bicho-papão

Quando há cinco meses - antes das Legislativas -, alguém que conhece bem o CDS me disse que Francisco Rodrigues dos Santos ia ser o próximo presidente do partido, confesso que não acreditei. A viragem parecia-me demasiado radical, demasiado arriscada, demasiado desesperada. Mas, já se sabe: a desgraça de uns é quase sempre a felicidade de outros e a tragédia eleitoral do CDS - que era um desastre à beira de acontecer - era a peça que faltava ao Chicão para fazer cheque-mate.