Anselmo Crespo

subdirector

Anselmo Crespo

O Estado e a comunicação social

Se olharmos para a forma como os sucessivos governos trataram a comunicação social nas últimas décadas e, sobretudo, para o chamado serviço público, dificilmente conseguiremos levar algum partido do chamado arco da governação muito a sério. Os que não tentaram influenciar, manipular e condicionar jornais, rádios e televisões não tiveram qualquer visão sobre o setor ou decidiram atirar para debaixo do tapete um assunto que queima e que acabava "enterrado" no Ministério da Cultura, entregue a ministros que percebem tanto de comunicação social como eu percebo de lagares de azeite.

Anselmo Crespo

Marcelo, a pandemia e as presidenciais

O vírus que nos mudou a vida há de mudar também muita coisa na política. Cá dentro e lá fora. Trump tem a reeleição em risco. Bolsonaro, a continuar assim, pode nem sequer chegar às próximas eleições. No Reino Unido, Boris Johnson vai-se aguentando por falta de comparência do adversário. E em França - só para dar alguns exemplos - Macron não precisou propriamente da pandemia para se estampar de frente contra uma parede, mas lá que levou um valente empurrão, isso levou.

Anselmo Crespo

Não nos TAPem os olhos

A minha primeira grande viagem de trabalho foi ao Brasil, pela TAP e por causa da TAP. A companhia aérea - à época gerida por Fernando Pinto - falhara a compra da brasileira Varig, mas tinha conseguido adquirir a VEM (Varig Engenharia e Manutenção), com oficinas em Porto Alegre e no Rio de Janeiro. Apesar de altamente deficitária, a confiança da administração da TAP na recuperação da VEM era enorme. E o orgulho nesta "conquista" era claramente desmesurado, como se viria a confirmar mais tarde.

Anselmo Crespo

O país do "desenrasca aí"

Numa entrevista recente à TSF, António Costa Silva foi certeiro na definição do povo português: "Absolutamente extraordinário nas crises e medíocre no regresso à normalidade". É o retrato perfeito da forma como está a decorrer este desconfinamento em plena pandemia - com milhares de pessoas na rua, de máscara no pescoço a amontoarem-se nos cafés, como se nada se estivesse a passar -, mas é também a melhor metáfora para a forma como nas últimas décadas o país foi respondendo às crises que foram aparecendo.

Anselmo Crespo

Um Plano Marshall contra o populismo

O plano de recuperação proposto esta semana pela Comissão Europeia não desiludiu os mais otimistas, mas também não transformou os pessimistas em crentes. Os "épicos" - como já lhes chamaram alguns - 2,4 biliões de euros para reconstruir a economia europeia não vão dar para tudo, mas simbolizam um esforço dos Estados-membros - de alguns, pelo menos - para salvar a Europa de uma desintegração que teria efeitos ainda mais catastróficos que a pandemia do novo coronavírus.