
Paulo Baldaia
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Deu uma volta de 360 graus
São comuns as gafes à volta dos graus que identificam as voltas que a vida que dá. A mais comum é sobre o caminho que é preciso fazer para que as coisas deixem de ser como são e passem a ser exatamente da forma contrária. Vezes demais, a vontade não corresponde ao que somos capazes de fazer e acabamos a anunciar uma volta de 360 graus, fugindo-nos a boca para a verdade. Tanta bazófia nos anúncios, acabou por nos deixar exatamente no mesmo sítio. Em estado de alerta, por causa dos incêndios.

É preciso estar atento
Há um ano, o Parlamento aprovou, com os votos favoráveis do PS, PSD e CDS, o Programa Nacional de Investimento e ele já não serve para nada. Tanto empenho do governo em conseguir um consenso superior a dois terços dos deputados e agora ninguém se dá conta que esse plano está caducado e vai ser substituído pelo plano de um homem só. Ou melhor, de um só homem.

O jogo do passa culpas
Para os que tenham dúvida sobre a atual impotência do poder político para resolver o que está acontecer na região de Lisboa, basta começar o dia a ler o jornal Público. Lá estão Fernando Medina e Duarte Cordeiro, até há bem pouco tempo companheiros na governação da capital, desta feita num jogo de passa culpas que nem as falinhas mansas são capazes de disfarçar.

Um 28 numa Europa a 27
O governo, que lançou foguetes e chamou o mestre de cerimónias para anunciar a Liga dos Campeões e usou Lisboa como exemplo para dar uma medalha de cartão aos profissionais de saúde, está entre a contingência de ter que despedir a ministra da Saúde e a calamidade de aparecer aos olhos de toda a gente, como não sabendo, afinal, o que está a fazer. Até há dois dias, não havia problema algum em Portugal e a questão de não se estar a verificar uma descida consistente de novos casos de Covid-19 na região de Lisboa explicava-se pelo número de testes que estavam a ser realizados.

Campeões na educação. Pode ser?
Num país em que o combate à Covid-19 nos coloca atualmente nos piores lugares do ranking europeu, depois de termos sido elogiados em vários órgãos de comunicação social do mundo inteiro pela excelência do nosso combate, o novo milagre tem um preço a pagar. É caro? É barato? Não sabemos, ninguém nos diz que cláusulas estão no contrato. A Champions será jogada em Lisboa, num formato parecido com um Europeu de clubes, e só esta insistência num centralismo que reduz um país à sua capital já representa um preço significativo.

Não se adivinha nada de bom
Os discursos do cardeal José Tolentino Mendonça e do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, no 10 de Junho, mereciam mais atenção. Convocados que fomos para pensar diferente, decidir diferente, agir diferente, não precisamos nem de um dia para fazer o que sempre fizemos, gastando energia com todas as polémicas que nos puseram na frente. Como a nova polémica serve para fazer esquecer a anterior, vivemos como se não tivéssemos memória.

Ciganofobia socialista
Quando um autarca socialista se refere aos habitantes de um prédio dividindo-os entre "famílias normais como nós" e "famílias de etnia cigana", não podemos aceitar reações envergonhadas do PS e do seu líder. A frase de António Costa, em resposta a André Ventura, aliás, é um bom soundbite - "não passo a concordar consigo, quando discordo dos meus autarcas" -, mas exige consequências.

A maior mentira da pandemia
Chegou a ser comovente a forma como encaramos o início da Covid-19, tratando o novo coronavirus como uma coisa democrática que não fazia distinções sociais, ameaçando de igual forma pobres e ricos. Ainda há quem pense assim, porque de facto, apanhados pelo vírus, as consequências seriam iguais para ricos e para pobres. E seria assim, se o vírus circulasse apenas por países com sistemas nacionais de saúde que acodem democraticamente a todos. Mas como sabemos, uma coisa é viver na Europa e outra bem diferente é viver na América Latina, em África e até mesmo nos Estados Unidos da América, onde o sistema de saúde se encarrega de distinguir ricos e pobres.
