Paulo Baldaia

Paulo Baldaia

Cansados do medo de falhar

Esta cruz que agora temos de carregar até depois de celebramos a ressurreição de Cristo, e a que chamamos confinamento com escolas fechadas, resulta, antes de mais, do medo de que tudo volte a falhar, como falhou no Natal. Marcelo tinha dito há 15 dias que é "para evitar o risco de ser mais um desconfinamento entre duas vagas" e ontem sentenciou que aligeirar ou agravar as medidas de contenção deve basear-se na consciência de quem decide e não na opinião de cada instante, que "ora quer fechar por medo, ora quer abrir por cansaço", acrescentou o Presidente.

Paulo Baldaia

A escola vítima da propaganda

Manter as escolas abertas, todas as escolas, é uma decisão muito sensata do governo. As direções das escolas fizeram, aliás, um trabalho notável para garantir as melhores condições de segurança neste ano letivo. Ninguém duvida que o risco no interior das escolas é mínimo, como ninguém tem dúvidas de que há um problema de comportamento dos jovens fora das escolas, mas isso só vem confirmar que a escola tem de continuar aberta, para ensinar e para permitir o convívio social. Fora da escola, os jovens estão obrigados ao mesmo confinamento de toda a gente. A melhor decisão, a única que acautela o direito das crianças e jovens a uma educação que não lhes hipoteque uma parte do futuro, é manter as escolas abertas.

Paulo Baldaia

A realidade supera a conspiração

António Costa a acusar políticos portugueses de estarem a conspirar internacionalmente contra o país, faz lembrar Viktor Orbán, o primeiro-ministro da Hungria que é acusado pelos seus parceiros europeus de não gostar muito do Estado de Direito. Esta comparação ocorreu à candidata presidencial Ana Gomes. A minha memória é mais curta e, quando me convocaram para mais uma dose de patriotismo, o que me ocorreu foi que esse deve ter sido o argumento que os apoiantes de Trump usaram para se convencerem a si próprios que fazia todo o sentido invadir a casa da Democracia.

Paulo Baldaia

A associação de estudantes chegou ao Governo

O pior da passagem de Eduardo Cabrita pelo ministério que tutela o SEF é o estado a que o SEF chegou, de que é triste exemplo o assassinato de um cidadão ucraniano às mãos do Estado português. O pior é isso, que não restem dúvidas. Só depois vem tudo o que se passou, ou melhor, que não se passou, de março até agora. E, no fim, a disparatada conferência do ministro. Para um governante com tanta experiência política, faltou-lhe temperar a altivez com um pouco de humildade, mesmo que daquela que os "spin doctor" costumam colocar nas palestras em que convencem um convencido que ele é a última coca-cola no deserto.