Paulo Baldaia

Paulo Baldaia

O que ajuda é ter estratégia e falar verdade

Não ajuda dizer, num dia, que não haverá confinamento em Felgueiras, Lousada e Paços Ferreira e decretar, no dia seguinte, o dever de confinamento nestes três concelhos. Não ajuda dizer, numa semana, que "é inimaginável" repetir no Natal as medidas "drásticas" adotadas na Páscoa e decretar, na semana seguinte, essas mesmas medidas para o fim de semana dos Finados. Não ajuda avançar com a obrigatoriedade do uso da aplicação StayAway Covid e acabar a sair de esguelha, sem sequer ter avançado rapidamente para a obrigatoriedade que todos querem, a do uso da máscara em espaços públicos, fechados ou ao ar livre. Não ajuda repetir a toda a hora que o Serviço Nacional de Saúde tem todas as condições de combater a pandemia, quando se repete o semi-abandono dos doentes não Covid da primeira vaga.

Paulo Baldaia

Bazuca contra bazuca

Agora que o Orçamento do Estado entrou na Assembleia da República, vale a pena falar de números e pode estar descansado que eu não vou regressar aos cenários macroeconómicos e às percentagens com que eles se cozinham. Crescimento de 5,5 ou défice de 4% dizem muito pouco ao comum dos mortais, mas se eu lhe disser que, números redondos, entre este ano e o próximo, os défices orçamentais vão obrigar Portugal a endividar-se em mais 20 mil milhões de euros, os números começam a fazer mais sentido.

Paulo Baldaia

A Esquerda na lapela e a Direita no bolso

Com os milhões a chegarem de Bruxelas e a urgência de resolver problemas causadas pela pandemia de Covid-19, o Governo quer alterar o regime de contratação pública, aumentando os tetos para que se possam fazer ajustes diretos. Nisto, o anterior presidente do Tribunal de Contas viu riscos de "práticas ilícitas de conluio, cartelização e até mesmo de corrupção". Sabemos agora que o PS não está sozinho e conta com os mesmos de sempre para os momentos difíceis. Não, não estou a falar de Jerónimo de Sousa e Catarina Martins.

Paulo Baldaia

O amor da esquerda pelo ensino privado

Ontem, o Jornal de Notícias estampou na primeira página uma foto de alunos muito bem alinhados numa sala de aulas moderna e o seguinte título: "Dispara procura por escolas privadas". Por muito que se propagandeie que houve uma resposta musculada do Estado com o ensino à distância e a tele-escola como consequência do encerramento das escolas em março, os pais e os alunos sabem que a escola pública fez o que pôde e o que sabia, mas o que fez foi muito pouco. No privado não correu tudo bem, mas a resposta foi incomparavelmente melhor. É por isso, e só por isso, que há milhares de encarregados e educação desesperados por colocarem os seus filhos no ensino privado. Vivem com medo que a pandemia nos force a todos a um novo confinamento e deixe os alunos do público entregues outra vez a um jogo de sorte e azar. A sorte de ter uma boa escola pública e um bom professor, empenhado em trabalhar no dobro para que os seus alunos não fiquem às escuras, também os há, ou o azar de terem meia dúzia de trabalhos para fazer sem professor capaz para ensinar à distância, o mais comum.

Paulo Baldaia

Ouçam e não desistam

Ouçam o barulho que se faz na rua ao final da tarde perto de uma escola. É um barulho lindo. Percebam como o novo normal é, afinal, a coisa mais normal de sempre, crianças e jovens excitados com o regresso às aulas. Mesmo os que só ontem se conheceram parecem familiares que se perderam e se reencontram, de novo na escola. Na casa comum. No sítio em que mais perto estamos de cumprir o mais eficaz combate à pobreza, aquele em que de alguma forma as aulas presenciais representam uma igualdade de oportunidades. Ouçam as crianças e os jovens a terminar um dia de escola e não desistam.

Paulo Baldaia

Deu uma volta de 360 graus

São comuns as gafes à volta dos graus que identificam as voltas que a vida que dá. A mais comum é sobre o caminho que é preciso fazer para que as coisas deixem de ser como são e passem a ser exatamente da forma contrária. Vezes demais, a vontade não corresponde ao que somos capazes de fazer e acabamos a anunciar uma volta de 360 graus, fugindo-nos a boca para a verdade. Tanta bazófia nos anúncios, acabou por nos deixar exatamente no mesmo sítio. Em estado de alerta, por causa dos incêndios.