
Paulo Baldaia
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O governo tem medo
O governo está com medo. Provavelmente, tem razões para estar. A montanha russa em que viajamos durante esta pandemia, com bons números quando se restringem as liberdades e números péssimos quando os portugueses não correspondem com o máximo de responsabilidade ao máximo de liberdade, essa montanha russa aconselha cautelas. É por isso que o governo não quer ouvir falar de desconfinamento.

Devíamos ter vergonha
A escola não contagia. A cobardia sim, contagia. A desorganização também contagia, tanto como a incompetência e o mesmo que a ignorância. Tenho de corrigir, a escola contagia... de felicidade, tanto como de saber e o mesmo que de justiça.

"A estupidez humana é infinita"
Andamos indispostos com os nossos conterrâneos por causa do chico-espertismo dos fura filas no plano de vacinação e nem reparamos que, por essa Europa fora e cá também, exigimos aos governos que façam exatamente o que criticamos ao vizinho do lado.

Para o que ninguém está preparado é para morrer
Precisamos de mais coerência na mensagem e na ação, com total transparência e com capacidade dos poderes públicos para fazerem cumprir as restrições que impõem a todo o país. Precisamos de mais e melhor planeamento para utilizar todo o sistema nacional de saúde (setores público, social e privado). Precisamos de que todos façam a sua parte, porque o sucesso deste combate depende de cada um de nós fazer a sua parte.

Este país não é para velhos, mas também não é para novos
Em Portugal, há cerca de dois milhões de pessoas a viver abaixo do limiar da pobreza e é entre os cidadãos com mais de 65 anos e menos de 18 que a pobreza mais se faz sentir. No caso dos idosos, se retirássemos as prestações sociais, nove em cada dez viveriam em risco de pobreza.

A escola vítima da propaganda
Manter as escolas abertas, todas as escolas, é uma decisão muito sensata do governo. As direções das escolas fizeram, aliás, um trabalho notável para garantir as melhores condições de segurança neste ano letivo. Ninguém duvida que o risco no interior das escolas é mínimo, como ninguém tem dúvidas de que há um problema de comportamento dos jovens fora das escolas, mas isso só vem confirmar que a escola tem de continuar aberta, para ensinar e para permitir o convívio social. Fora da escola, os jovens estão obrigados ao mesmo confinamento de toda a gente. A melhor decisão, a única que acautela o direito das crianças e jovens a uma educação que não lhes hipoteque uma parte do futuro, é manter as escolas abertas.

A realidade supera a conspiração
António Costa a acusar políticos portugueses de estarem a conspirar internacionalmente contra o país, faz lembrar Viktor Orbán, o primeiro-ministro da Hungria que é acusado pelos seus parceiros europeus de não gostar muito do Estado de Direito. Esta comparação ocorreu à candidata presidencial Ana Gomes. A minha memória é mais curta e, quando me convocaram para mais uma dose de patriotismo, o que me ocorreu foi que esse deve ter sido o argumento que os apoiantes de Trump usaram para se convencerem a si próprios que fazia todo o sentido invadir a casa da Democracia.

O poder que comunica por meias palavras
Sabe aquelas alturas em que nos falam por meias palavras e nós percebemos que nos estão a tentar dizer uma coisa que querem ao mesmo tempo esconder-nos? É nesse ponto que está o Governo, quando anuncia que nos vai retirar a liberdade condicional, prometida para a passagem de ano, mas que mantém a precária, prevista para o fim de semana do Natal.
