"Esta região tem um peso da tradição enorme, mas não podemos parar no tempo"

Pedro Luís Rocha Correia, enólogo responsável pela produção DOC Douro da Symington, enaltece as características e inovações que ocorreram na região do Douro e que permitem que esta seja uma região de excelência.

A região do Douro é a região de maior tradição no que diz respeito à viticultura, mas pode dizer-se que não está presa ao passado, certo?

O Douro tem evoluído imenso não só a nível da enologia, mas também ao nível da viticultura. Temos uma equipa que está em permanente evolução e descoberta, numa perspetiva de uma viticultura de precisão cada vez mais inovadora. Temos um modo de produção biológica em grande desenvolvimento na zona da Vilariça e somos, hoje em dia, um dos grandes produtores de uvas em modo de produção biológica do país.

O Douro é a zona de excelência do vinho do Porto, mas neste momento estão a nascer os vinhos correntes. Porque é que os consumidores devem estar atentos a este tipo de vinhos?

O Douro está a conhecer uma realidade que é cada vez mais importante que são os vinhos tranquilos aqui produzidos. Mais tintos do que brancos porque é uma região quente, mas o Douro também nos dá esta versatilidade e esta flexibilidade que é o ter a montanha e ter vinhas a diferentes quotas de altitude. Subindo em quota vamos ter localizações mais frescas onde conseguimos preservar melhor a acidez natural da uva e por isso produzir vinhos menos estruturados, mais frescos e prontos a beber mais cedo - que era uma das premissas do Vale do Bonfim, um vinho fácil para entrar no mercado cedo e ser agradável desde o início.

Então vamos falar do DOC Douro. Que tipo de vinho é e para quem é?

Sabemos que o consumidor e o cliente do continente é um cliente exigente e, por isso, o DOC Douro é um vinho que tem de ser fácil. E para produzir um vinho fácil, um vinho com uma estrutura média, com presença, com pedigree, mas que seja fácil de beber nesta região temos de adotar uma vinificação muito precisa para minimizar a extração, para maximizar aquilo que é a fruta e potencial aromático do vinho. É um vinho que puxa pela fruta, de estrutura média, agradável e que até pode ser bebido sem comida.

E que já ganhou prémios.

E que já ganhou prémios, exatamente. Estamos muito satisfeitos. Nós não fazemos vinhos para ganhar prémios, mas sempre que nos atribuem esses prémios acaba por ser o reconhecimento do nosso trabalho e daquilo que é o adaptar o perfil de cada um dos nossos vinhos a uma franja de consumidor que tem gostos necessariamente diferentes.

Pedro Luís Rocha Correia

Não fazemos vinhos para ganhar prémios, mas sempre que nos atribuem esses prémios acaba por ser o reconhecimento do nosso trabalho.

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